Caso Master: Conselho do MPF mantém Gonet nas apurações

Francisco Sanseverino votou contra afastar e investigar o procurador-geral da República após vazamento de mensagens do ex-banqueiro.

Caso Master: Conselho do MPF mantém Gonet nas apurações

Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) formou maioria de 3 votos a 0 para manter o procurador-geral da República, Paulo Gonet, na condução das apurações do caso Banco Master. Na mesma sessão, o colegiado abriu placar de 2 a 1 contra o aprofundamento de investigações criminais relativas ao chefe do órgão, após manifestações do relator e de outros dois conselheiros.

A divergência abriu-se com a postura da conselheira Janice Ascari, que votou por designar um subprocurador-geral para colher informações preliminares sobre a notícia-crime. Os conselheiros Francisco Sanseverino, relator do processo, e Celso de Albuquerque Silva votaram pelo arquivamento sumário do pedido de investigação, alegando falta de indícios mínimos de autoria ou materialidade.

Divergência e argumentos no julgamento do caso Banco Master

Banco Master - Daniel Vorcaro - STF
(Divulgação/Banco Master)

Ao analisar os dados obtidos pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o relator concluiu que as menções ao procurador-geral ocorreram de forma indireta. “Não se pode examinar frases ou troca de mensagens de forma isolada e/ou descontextualizada para não criar uma situação artificial e que não corresponda à realidade dos fatos”, afirmou Sanseverino ao negar qualquer ato ilícito.

O posicionamento encontrou respaldo no voto do conselheiro Celso de Albuquerque Silva, que refutou hipóteses de privilégios ou benefícios indevidos. “Não há nenhuma mínima comprovação sequer de que o filho do PGR tenha sido convidado. Consequentemente, não há um mínimo indício de que algo tenha sido pago”, declarou Silva ao ressaltar a ausência de diálogos diretos na perícia policial.

Apesar de rejeitar o afastamento imediato de Gonet dos procedimentos do caso Banco Master, a conselheira Janice Ascari defendeu que a complexidade do relatório exige diligências adicionais antes do encerramento do feito. A procuradora destacou que a perícia inicial ocorreu em 72 horas e necessita de esclarecimentos formais sobre interações relatadas por terceiros.

Origem dos relatórios e próximos passos no STF

As suspeitas surgiram após a derrubada do sigilo de relatórios produzidos durante a Operação Compliance Zero, sob relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça. Os documentos expuseram trocas de mensagens entre Vorcaro e o advogado Ciro Soares, citando uma viagem a Londres e articulações institucionais. O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025, após identificar fraudes estimadas em R$ 12 bilhões.

Em manifestações ao Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa de Paulo Gonet sustentou que os contatos foram superficiais e pontuais. Se a maioria do conselho mantiver a rejeição ao inquérito, a representação será arquivada no âmbito administrativo. Caso ocorra uma reviravolta no placar para abrir a investigação, o material e eventuais indícios serão remetidos diretamente ao STF, foro competente para supervisionar apurações contra o procurador-geral.

A deliberação conduzida pelo vice-procurador-geral da República, Nicolao Dino, prossegue no plenário com o voto dos demais integrantes da cúpula do Ministério Público. A definição do placar final estabelecerá o entendimento institucional sobre os limites de atuação de autoridades nos desdobramentos que envolvem o caso Banco Master.

Thiago Antunes

  • Publicado: 25/09/2026 13:48
  • Alterado: 25/09/2026 13:48
  • Autor: Thiago Antunes