7 de Setembro: Mostra em SP explora raízes da Independência
7 de Setembro: Fundação Oscar Americano une exposição sobre D. João VI e acervo colonial para explicar o contexto da data
- Publicado: 04/09/2026 10:56
- Alterado: 04/09/2026 10:56
- Autor: Daniela Ferreira
Com a aproximação do feriado de 7 de Setembro na próxima segunda-feira, a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, localizada no Morumbi, na Zona Sul da capital paulista, oferece ao público uma oportunidade de mergulhar nos bastidores históricos da emancipação brasileira. O espaço cultural propõe uma reflexão visual e histórica para mostrar que a Independência não foi um ato isolado em 1822, mas o resultado de um longo processo de transformações políticas e sociais.
Para contar essa história, a instituição uniu o seu rico acervo permanente do Brasil Colonial à exposição temporária “D. João VI: um rei entre dois continentes”, que segue em cartaz até o dia 24 de outubro.
O Papel de D. João VI e Raridades
Com curadoria do historiador e biógrafo Paulo Rezzutti, a mostra temporária revisita a figura do monarca português no ano que marca o bicentenário de sua morte. A exposição joga luz sobre o impacto estrutural provocado pela transferência da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808.
Ao romper o chamado “Pacto Colonial”, a chegada da coroa forçou a modernização da colônia, impulsionando o desenvolvimento da siderurgia e fundando pilares institucionais que perduram até hoje, como o Jardim Botânico e a Biblioteca Nacional.
“A exposição mostra o antes e o depois do Brasil. Mostra o que era o país antes da chegada da Corte portuguesa, como D. João estrutura essa nação e o que deixa antes de partir”, detalha o curador Paulo Rezzutti, destacando que as medidas adotadas pelo rei criaram o terreno fértil para a futura ruptura política.
Um dos pontos altos da mostra é a exibição inédita de uma caricatura de D. João VI feita em 1817. A obra, pertencente a uma coleção particular, é assinada por João Pedro, o “Mulato”, que é historicamente considerado o primeiro caricaturista do Brasil.
Multiculturalismo e Frans Post no Acervo Permanente
O percurso histórico do visitante se completa no acervo permanente da Fundação, que guarda um panorama vasto da formação cultural do país antes mesmo dos debates sobre a Independência. A coleção escancara como o Brasil já era um caldeirão de influências globais, unindo referências da Europa, da Ásia e da produção regional.
O grande destaque do acervo são as oito telas pintadas por Frans Post (1612-1680). O artista holandês integrou a comitiva de Maurício de Nassau em Pernambuco no século XVII e eternizou as paisagens e o cotidiano nordestino. As peças, adquiridas pela família Americano na década de 1970, são registros raros de como os europeus enxergavam a colônia.
“Pelo acervo artístico, cultural e histórico da Fundação, conseguimos perceber vários Brasis. É possível perceber esse grande intercâmbio e identificar nas peças produzidas no país influências que já apontam para alguns traços da nossa nacionalidade”, analisa Rezzutti.
Além das pinturas holandesas, o público que visitar o espaço neste feriado prolongado poderá conferir tapeçarias francesas, mobiliários dos reinados portugueses, porcelanas chinesas produzidas sob encomenda para o Ocidente e peças valiosas de arte sacra, como a imagem de Nossa Senhora esculpida por Frei Agostinho de Jesus (século XVII) e um São Miguel Arcanjo de origem mineira (século XVIII).
Serviço e Bilheteria
- Onde: Fundação Maria Luisa e Oscar Americano
- Endereço: Avenida Morumbi, 4.077 – Morumbi, São Paulo/SP.
- Funcionamento: De terça a domingo, das 10h às 17h30.
- Ingressos: R$ 40,00 (Inteira) e R$ 20,00 (Meia-entrada). Entrada gratuita às terças-feiras.
- Política de Meia e Gratuidade: Meia para estudantes, maiores de 60 anos e PCD. Gratuidade (mediante agendamento) para escolas públicas, ONGs e profissionais do ICOM/ABCA.
- Estacionamento: Serviço de valet no local por R$ 30,00.