7 de Setembro e a independência que ainda falta

Independência também exige responsabilidade: o 7 de Setembro provoca uma reflexão sobre cidadania, participação social e o hábito de esperar pelos outros

7 de Setembro e a independência que ainda falta

Crédito: (Bruno Peres/Agência Brasil)

O Brasil se tornou independente há 204 anos. Nós, brasileiros, talvez ainda estejamos tentando descobrir o que fazer com essa independência. Porque é muito fácil gostar da palavra quando ela significa liberdade. O problema começa quando percebemos que liberdade vem acompanhada de responsabilidade.

Queremos um país melhor, cobramos mudanças, criticamos quem exerce o poder e temos opiniões sobre praticamente tudo. Mas, quando chega a hora de perguntar o que estamos fazendo para que alguma coisa mude, o entusiasmo costuma diminuir. Afinal, é muito mais confortável fiscalizar a vida dos outros do que assumir alguma responsabilidade pela nossa.

Criamos uma sociedade extraordinariamente eficiente em encontrar culpados e surpreendentemente econômica em assumir compromissos.

A dependência de esperar que alguém faça

Talvez seja essa uma das nossas maiores dependências: esperar que alguém faça. Que alguém resolva. Que alguém cuide. Que alguém dê oportunidade. Que alguém tome a iniciativa. Que alguém faça a diferença. E, enquanto esperamos, seguimos reclamando da falta de mudanças.

Há algo ainda mais curioso. O poder parece saber muito bem quando uma sociedade descobriu sua força — e quando ainda não descobriu. Basta observar algumas imagens de quem ocupa os lugares de decisão. O sorriso, por si só, não deveria incomodar ninguém. O que deveria nos fazer pensar é a distância entre quem exerce o poder e uma sociedade que, muitas vezes, se limita a assistir, comentar e seguir adiante.

Uma sociedade que conhece sua força não precisa gritar o tempo inteiro. Participa. Questiona. Organiza-se. Cobra. Propõe. E, principalmente, entende que cidadania não é apenas um conjunto de direitos que recebemos, mas também responsabilidades que assumimos.

Cidadania também significa assumir responsabilidades

Responsabilidade Social - Cidadania - Independência - Brasil
(Rovena Rosa/Agência Brasil)

É nesse ponto que entra a responsabilidade social. Não como caridade. Não como favor. E muito menos como obrigação de meia dúzia de pessoas que decidiram fazer alguma coisa enquanto o restante assiste.

Responsabilidade social é entender que ninguém conquista verdadeira independência sozinho. É ajudar alguém a ter oportunidade para caminhar com as próprias pernas. É perceber uma necessidade e não passar por ela como se fosse problema de outra pessoa. É compreender que uma sociedade só se torna mais forte quando seus cidadãos ajudam uns aos outros a serem mais independentes.

Talvez, então, o 7 de Setembro pudesse nos provocar um pouco mais.

A independência que ainda precisamos conquistar

Não precisamos discutir apenas quem proclamou a independência do Brasil. Podemos perguntar se nós, como sociedade, já conquistamos a independência de esperar que sempre exista alguém para fazer aquilo que também é nossa responsabilidade.

O Brasil já declarou sua independência. Agora falta uma muito mais difícil: a independência de uma sociedade que não terceiriza sua consciência.

Dom Veiga

Dom Veiga - Adote um Cidadão - Responsabilidade Social
(Divulgação)

Dom Veiga é empreendedor social, peregrino e fundador do projeto Adote um Cidadão, organização da sociedade civil que há 27 anos promove a inclusão de pessoas com deficiência e o acolhimento de cidadãos em situação de vulnerabilidade social. À frente da iniciativa, desenvolve ações socioeducativas, esportivas e culturais que impactam comunidades em diferentes regiões do Brasil, unindo propósito, solidariedade e transformação social.

  • Publicado: 04/09/2026 18:50
  • Alterado: 04/09/2026 18:50
  • Autor: Dom Veiga

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