5 erros que aceleram o fechamento de pequenas empresas
Decisões contábeis equivocadas podem comprometer o caixa, elevar custos e acelerar o fechamento de pequenas empresas mesmo quando há vendas e faturamento
- Publicado: 13/08/2026 11:56
- Alterado: 13/08/2026 11:56
- Autor: João Rocha
O Brasil já ultrapassou a marca de mais de 60 milhões de empresas registradas no país. Deste número, mais de 35% tem registro ativo. O Governo contabiliza 25 milhões de empresas em funcionamento. Quase meio milhão de negócios foram abertos somente em junho de 2026. Os índices não param de crescer em comparações anuais.
A quantidade de CNPJs existentes em solo verde e amarelo é tão expressiva que houve sobrecarga na sistemática utilizada para gerar os números. Mediante a este cenário, a Receita Federal precisou utilizar outra dinâmica para contemplar os novos registros. O primeiro CNPJ Alfanumérico foi criado em Julho deste ano e conta com letras e números para ampliar as possibilidades e quantidades de cadastros.
Algo chama atenção nesta explosão de CNPJs: a maior parte destes dados é composta por pequenas empresas. O Brasil bateu recorde em 2025 quando teve a maior quantidade de CNPJs ativos na série histórica marcada pelo Sebrae. Entre janeiro e julho deste ano em questão, 97% das empresas abertas se enquadravam como microempreendedores individuais, microempresas ou empresas de pequeno porte.
Não são só números. 80% das vagas de trabalhos oferecidas aos brasileiros no ano passado foram criadas por pequenas empresas, representando 26,5% do PIB nacional.
Algo tão significativo para a nossa economia merece muita atenção e cuidado. Até porque, uma outra linha de pesquisa nos revela que a taxa de mortalidade de MEIs é de 29% em até cinco anos. Não é diferente com as microempresas, 21,6% delas precisam fechar as portas neste mesmo período.
O que leva ao encerramento de atividade?

Múltiplos fatores podem responder essa pergunta, sem contar que cada caso é um caso e precisa ser olhado com muito cuidado e precisão. Mas, de maneira geral, há uma combinação de fatores que levam à finalização. Entre eles: questões financeiras, erros operacionais e de gestão podem aparecer logo no topo da lista de complicações.
Separei alguns itens que mais observo liderando a rotina de um escritório contábil:
1 – Não separar dinheiro pessoal de dinheiro da empresa
Algumas pessoas abrem um CNPJ enquanto ainda estão registradas em um emprego formal baseado na CLT, recebendo salário fixo mensalmente. Outras, não possuem rendimento algum e dependem única e exclusivamente das vendas que fazem enquanto pessoa jurídica. Independentemente do caso, é sempre bom lembrar a origem e o destino daquilo que se ganha.
Em um primeiro momento, sobretudo pra quem está começando a empreender, pode parecer que toda receita está disponível para uso. Mas não é bem assim. Pagar as contas de casa com dinheiro da empresa ou vice-versa pode trazer problemas tanto a curto quanto a longo prazo. A falta de separação tende a criar uma espécie de cegueira para os reais dados tanto da vida financeira pessoal quanto da jurídica.
2 – Achar que lucro e faturamento são sinônimos
Na mesma lógica do item anterior, pode ser comum pensar que todo dinheiro que entra na empresa pode ser utilizado para qualquer demanda. Mas, essa lógica exclui os custos de uma operação de venda de produtos e serviços. Existe despesas, encargos trabalhistas, impostos e adversidades que permeiam o financeiro de uma empresa. Em operações mais enxutas, pode ser ainda mais difícil de fazer essa separação, o que requer controle redobrado.
3 – Não saber precificar
Se você não leva em consideração o quanto de recurso emprega para produzir, será mais difícil de acertar na precificação para que a venda supra os custos e ainda reste lucro. Outro fator importante para este momento é a tributação. Muitos empresários se esquecem que há uma parte de impostos para cada faturamento. Embutir a parte fiscal no seu preço de mercado pode ajudar na legalização contábil da sua atividade.
4 – Falta de estratégia no fluxo de caixa
Seu CNPJ pode ser extremamente lucrativo nas documentações contábeis, mas ainda assim não ter dinheiro para pagar as contas. Não casar datas de recebimentos com datas de pagamentos pode gerar mais problemas do que parece. No fim, juros, multas e problemas jurídicos podem aparecer pela simples falta de arquitetação fiscal.
5 – Falta de planejamento tributário
As reclamações sobre os impostos no Brasil acontecem de forma generalizada, independentemente do segmento e do tamanho da empresa. Para aliviar essa grande preocupação, é importante ter certeza que você está pagando a menor tributação exigida por lei para a sua situação. O recolhimento de fatias municipais, estaduais e federais pode parecer simples a princípio. Mas somente um bom planejamento tributário para dizer se existem opções mais vantajosas e quais táticas podem ser utilizadas, dentro da lei, para reduzir os custos fiscais. Com o advento da Reforma Tributária, precisa haver ainda mais empenho no cuidado do setor contábil da sua empresa.
Organização para atravessar os primeiros anos

Todos os esses itens podem afetar negativamente qualquer tipo de empresa, inclusive aquelas que batem recorde de vendas constantemente. Bom fluxo financeiro sempre combina com organização, métodos e boas estratégias. Gosto muito da contabilidade porque é uma ciência que te permite ter acesso a números que revelam a situação do seu CNPJ. Mais do que isso, ela te aponta possíveis direções que cooperam com a manutenção e expansão da sua empresa.
Os primeiros anos de um empreendedor são extremamente desafiadores. A carga de trabalho é muito alta, são procedimentos novos, rotinas que precisam ser pensadas, testadas e ajustada. Todos os olhos precisam estar em todos os setores da empresa e, na maioria das vezes, começa sendo um trabalho solo. Como se o empreendedor fosse o zagueiro, atacante e goleiro ao mesmo tempo. Fácil não é. Mas são dificuldades que podem ser evitadas ou contornadas durante a construção de um negócio próspero, saudável e sustentável.
João Rocha

João Rocha é contador formado pela Universidade Metodista de São Paulo e especialista em Contabilidade Tributária pela Universidade São Judas Tadeu. Com mais de 21 anos de experiência no mercado, há mais de 17 anos é fundador da Strong Contábil Digital, empresa que alia tecnologia à contabilidade consultiva para facilitar a rotina dos empresários, simplificar processos burocráticos e apoiar a tomada de decisões com base em dados contábeis. Durante a pandemia, também fundou a Strong Contábil Doctor, braço da empresa especializado no atendimento a profissionais da saúde.