Yayoi Kusama, rainha das bolinhas, morre aos 97 anos
Yayoi Kusama morreu em um hospital de Tóquio e deixou uma obra marcada por bolinhas, espelhos e instalações imersivas
- Publicado: 27/08/2026 08:58
- Alterado: 27/08/2026 08:59
- Autor: Daniela Penatti
A artista japonesa Yayoi Kusama morreu aos 97 anos, informou nesta quinta-feira (27) o museu e a fundação que levam seu nome. Segundo comunicado conjunto das instituições, a morte ocorreu em 14 de agosto, em um hospital de Tóquio.
Conhecida como a “rainha das bolinhas”, ela construiu uma trajetória marcada pela repetição de pontos, que aparecem em diferentes formatos, como instalações com jogos de luzes, espelhos infinitos e pinceladas reproduzidas exaustivamente.
Yayoi Kusama e a origem das famosas bolinhas
Nascida em Matsumoto, no Japão, em 1929, a artista conviveu com as bolinhas desde a infância. Segundo seus relatos, questões relacionadas à saúde mental provocavam alucinações, e os pontos surgiram como uma maneira de traduzir para o mundo a forma como enxergava a realidade.
De família afluente, ela ingressou em um curso de arte em Quioto, em 1948. Pouco depois, passou a incorporar referências das vanguardas europeias e americanas.
Em 1957, mudou-se do Japão para Nova York, cidade que, no pós-guerra, havia destronado Paris como capital das artes plásticas. Foi nos Estados Unidos que sua obsessão pela repetição ganhou novas dimensões.
Vanguardas, performances e os “infinity rooms”
Durante os anos 1960, a artista integrou a vanguarda que transformou o cenário das artes com performances e happenings. Em 1968, reuniu um grupo de dançarinos diante da Bolsa de Valores de Nova York para protestar contra o financiamento da Guerra do Vietnã.
Nesse período, começou a desenvolver o conceito dos “infinity rooms”, salas revestidas de espelhos que criam a sensação de multiplicação infinita das bolinhas.
A influência da cultura pop também apareceu em performances com características comerciais. Um dos exemplos foi uma boutique instalada na Bloomingdale’s, tradicional loja de departamentos de Nova York.
De vanguarda artística a fenômeno mundial
Mais tarde, Yayoi Kusama tornou-se também um fenômeno associado ao mercado de luxo. A artista firmou parcerias com a Louis Vuitton, gigante do setor, que resultaram em duas linhas de bolsas combinando o logotipo LV com suas bolinhas coloridas.
No século 21, algumas de suas obras viralizaram graças ao forte potencial “instagramável”. Em 2014, o Instituto Tomie Ohtake realizou uma retrospectiva dedicada à produção da artista, com diversas salas imersivas. Os ambientes eram preenchidos por espelhos do chão ao teto, fazendo as projeções de luz parecerem uma galáxia.
Em 2023, Yayoi Kusama ganhou um pavilhão no Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais. Em uma das salas, “I’m Here But Nothing”, obra de 2000, milhares de adesivos em formato de bolinha foram espalhados por um ambiente doméstico com mesa de jantar, sofá, televisão e plantas.
Na outra instalação, “Aftermath of Obliteration of Eternity”, de 2009, os espelhos envolvem o espectador em uma sala iluminada por pequenas lâmpadas.
Yayoi Kusama deixa uma obra marcada pela repetição, pelos contrastes visuais e por experiências imersivas que ajudaram a aproximar a arte contemporânea de um público global.