Veja propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para a economia
Às vésperas do segundo turno, planos de governo registrados por Lula e Flávio Bolsonaro no TSE detalham propostas opostas para a economia
- Publicado: 22/10/2026 16:54
- Alterado: 22/10/2026 16:54
- Autor: Redação
A economia costuma ocupar lugar central nas decisões do eleitor, especialmente quando questões como inflação, emprego, renda e custo de vida afetam o orçamento das famílias. Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), o cenário econômico brasileiro também aparece na avaliação da população sobre os rumos do País.
Pesquisa BTG/Nexus divulgada em outubro mostra que 51% dos eleitores avaliam a economia brasileira como ruim ou péssima, enquanto 31% consideram a situação regular. O levantamento mais recente, publicado em 19 de outubro, manteve a avaliação negativa acima da metade dos entrevistados, embora parte da população ainda espere melhora nos próximos meses.
A percepção econômica é um dos fatores estudados pela ciência política na análise do comportamento eleitoral. Conhecido como voto econômico, esse fenômeno considera como a avaliação da economia nacional e das condições financeiras pessoais pode influenciar a escolha nas urnas.
Nesse contexto, o ABC do ABC analisou os planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para comparar as propostas econômicas dos candidatos, incluindo as diretrizes para as contas públicas, a tributação, a geração de empregos e o crescimento do País nos próximos quatro anos.
Propostas de Lula para a Economia

O plano de governo registrado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026 estrutura suas propostas econômicas em torno do fortalecimento do mercado de trabalho, da reindustrialização do país e da manutenção do equilíbrio das contas públicas. O documento, que serve como base para um eventual quarto mandato, detalha diretrizes focadas em responsabilidade fiscal, sustentabilidade e ampliação de direitos sociais.
Abaixo, estão detalhadas as principais propostas do programa nas áreas de Economia, Trabalho e Responsabilidade Fiscal:
Trabalho, Renda e Direitos
O programa estabelecia o compromisso de atuar junto ao Congresso Nacional para aprovar o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso (6×1), além de reduzir a jornada semanal para 40 horas, sem que haja redução salarial. Emenda que já foi aprovada e entrará em vigor em 29 de dezembro de 2026, com conclusão prevista para dezembro de 2027, determinando limite máximo da jornada de trabalho semanal de 40 horas.
Para os trabalhadores de plataformas digitais, o texto prevê a criação de regras claras sobre a relação de trabalho, garantindo remuneração adequada, melhores condições, direitos previdenciários e trabalhistas, além de transparência nos algoritmos.
O plano garante a manutenção da política de reajuste do salário-mínimo sempre acima da inflação, visando o aumento real do poder de compra dos trabalhadores.
Política Fiscal e Tributária

O documento propõe a continuidade do atual arcabouço fiscal, com foco no controle do crescimento das despesas primárias e na melhoria da qualidade e eficiência do gasto público, atrelando a responsabilidade fiscal ao crescimento econômico.
A continuidade da implementação da reforma tributária é tratada com ênfase na progressividade. O plano defende a isenção total do Imposto de Renda para rendimentos mensais de até R$ 5 mil, compensando essa desoneração por meio de uma maior tributação sobre as rendas mais elevadas.
Desenvolvimento, Indústria e Infraestrutura
O programa prevê uma nova etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), mantendo e ampliando os investimentos estruturais em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, além de obras de saneamento, energia, saúde e educação.
A política industrial continua tendo como base a Nova Indústria Brasil, com foco em inovação, soberania tecnológica (incluindo o desenvolvimento de inteligência artificial nacional), aumento da produtividade e geração de empregos qualificados por meio de financiamento direcionado e compras governamentais.
O projeto mobiliza recursos para atividades produtivas sustentáveis, apostando na transição energética, na expansão de fontes de baixo carbono (como energia solar e eólica) e no fortalecimento de uma economia verde que combata as mudanças climáticas.
Crédito, Fomento e Inclusão Produtiva
O programa propõe a continuidade e o aprimoramento de políticas de renegociação de dívidas para aliviar o orçamento das famílias e reinserir cidadãos no mercado de consumo.
Há a previsão de ampliação do crédito produtivo voltado para pequenos empreendedores e autônomos. As medidas incluem programas de qualificação, assistência técnica, apoio à inovação, inclusão digital e simplificação tributária.
O plano reforça o incentivo a modelos econômicos alternativos baseados no cooperativismo e na autogestão, fortalecendo a economia solidária como ferramenta de inclusão social e geração de renda nas comunidades.
As medidas buscam conciliar o estímulo ao crescimento econômico e à produtividade com a expansão da rede de proteção social e a formalização de novos modelos de trabalho. A viabilidade dessas propostas, segundo o próprio texto, dependerá da capacidade do governo de equilibrar esses investimentos públicos e incentivos com as metas fiscais estabelecidas.
Propostas de Flávio Bolsonaro para a Economia

O plano econômico de Flávio Bolsonaro para o período de 2027 a 2030 prevê crescimento anual de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), redução de despesas públicas, privatizações e mudanças na política tributária. Entre as propostas apresentadas estão a revisão da reforma tributária, a redução do número de ministérios e a ampliação dos investimentos em infraestrutura.
O documento também aborda medidas para estimular a atividade empresarial, ampliar a participação do setor privado na economia e fortalecer áreas consideradas estratégicas, como energia, agronegócio e minerais críticos. As propostas incluem mudanças na atuação de instituições financeiras públicas e a criação de um programa de pontos e benefícios para consumidores.
Regras fiscais e redução de despesas
Uma das principais frentes do plano é a revisão das contas públicas, com a proposta de promover um corte expressivo de despesas, descrito no documento como um “tesouraço” fiscal.
A iniciativa busca reduzir os gastos do governo e reorganizar as despesas públicas. O plano também prevê diminuir a quantidade de ministérios para, no mínimo, dez unidades a menos, como parte da proposta de reorganização da estrutura administrativa federal.
A redução de despesas aparece associada à busca por maior eficiência na administração pública e à criação de condições para o crescimento econômico. O documento, porém, não deve ser interpretado como uma medida já implementada: trata-se de um conjunto de propostas para um eventual governo entre 2027 e 2030.
Revisão da reforma tributária

O plano prevê uma revisão da reforma tributária, com mudanças nas regras relacionadas à tributação sobre o consumo. A proposta envolve o modelo do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), adotado pela reforma aprovada no Brasil.
A intenção apresentada é reavaliar a estrutura tributária e seus efeitos sobre empresas e atividade econômica. O documento também inclui medidas voltadas à redução dos encargos incidentes sobre a folha de pagamento.
A desoneração da folha é apresentada como um instrumento para diminuir os custos das empresas e estimular a geração de empregos. O plano também defende maior flexibilidade nas relações de trabalho, com mudanças que, segundo a proposta, devem ampliar a capacidade de contratação e adaptação das empresas.
Crédito e programas de benefícios
Entre as iniciativas previstas está a transformação da Caixa Econômica Federal em uma instituição denominada “Banco da Prosperidade”. A proposta busca direcionar a atuação do banco para o estímulo à prosperidade econômica, embora a descrição do plano seja a referência para compreender o alcance pretendido para essa mudança.
O documento também prevê a criação do programa “Ganha, Ganha”, baseado em pontos e benefícios. A iniciativa aparece entre as medidas voltadas aos consumidores e à movimentação da economia.
O plano reúne essas propostas em uma estratégia que pretende combinar mudanças na atuação de instituições financeiras, incentivos econômicos e estímulos ao consumo. Os detalhes operacionais, os critérios de participação e o modelo de financiamento do programa precisam ser definidos para que seja possível avaliar seus efeitos práticos.
Privatizações e participação do setor privado
O documento inclui privatizações entre as medidas econômicas previstas para o período de 2027 a 2030. A proposta sinaliza a intenção de ampliar a participação da iniciativa privada em atividades econômicas e rever a presença do Estado em determinados setores.
A privatização de empresas ou ativos públicos pode envolver diferentes modelos de transferência de controle, concessão ou exploração de serviços. O alcance da proposta depende das empresas e atividades que eventualmente forem incluídas, bem como das condições estabelecidas para cada operação.
No plano, a medida aparece ao lado da redução de despesas públicas e da reorganização administrativa. A combinação dessas iniciativas indica uma estratégia voltada à revisão da atuação estatal na economia, embora o documento precise especificar os ativos abrangidos e o cronograma para permitir uma avaliação mais detalhada.
Investimentos em infraestrutura
O plano prevê R$ 900 bilhões em investimentos em infraestrutura, com a proposta de ampliar a capacidade de investimento em setores considerados relevantes para a economia brasileira.
A infraestrutura é tratada como um dos eixos para estimular a atividade econômica. Os recursos previstos podem estar relacionados a projetos capazes de ampliar a capacidade produtiva e melhorar as condições para a circulação de mercadorias, a prestação de serviços e o funcionamento das empresas.
O montante indicado, entretanto, não esclarece por si só a origem dos recursos, a distribuição entre os setores ou a participação esperada do poder público e da iniciativa privada. Esses elementos são importantes para determinar como o investimento seria executado e quais seriam seus efeitos sobre as contas públicas.
A proposta também se relaciona à intenção de estimular a participação privada na economia, presente nas medidas de privatização e nas iniciativas voltadas ao ambiente empresarial.
Minerais críticos e política energética
O documento destaca os minerais críticos e a energia entre as áreas estratégicas para o desenvolvimento econômico. A inclusão desses setores indica a intenção de aproveitar recursos e atividades considerados relevantes para a produção industrial e para a competitividade do país.
Os minerais críticos são utilizados em diferentes cadeias produtivas, incluindo tecnologias e equipamentos industriais. A exploração desses recursos pode envolver investimentos em pesquisa, extração, processamento e infraestrutura, além de políticas que definam as condições para a participação de empresas nacionais e estrangeiras.
No setor energético, o plano também aponta a área como parte das prioridades econômicas. A definição das medidas concretas, no entanto, depende dos instrumentos que seriam adotados, dos projetos contemplados e das condições de investimento.
A abordagem dessas áreas se soma à proposta de ampliar os investimentos em infraestrutura e fortalecer setores com potencial de contribuir para a produção e as exportações brasileiras.
Agronegócio e comércio exterior

O agronegócio também aparece entre os setores contemplados pelo plano econômico. A proposta inclui o segmento na estratégia de crescimento e de fortalecimento das atividades produtivas do país.
O documento ainda prevê medidas relacionadas ao comércio exterior, com o objetivo de ampliar a inserção internacional da economia brasileira. A atuação nessa área pode envolver a relação comercial com outros países, a abertura de mercados e a competitividade de produtos nacionais, conforme os instrumentos que venham a ser definidos.
As iniciativas para o agronegócio e o comércio exterior estão alinhadas à intenção de estimular a produção e ampliar as oportunidades econômicas. O detalhamento das medidas, porém, é necessário para identificar quais setores seriam priorizados e como as propostas seriam colocadas em prática.
Relação com a OCDE
O plano menciona a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como parte da agenda econômica. A organização reúne países e desenvolve recomendações e padrões de políticas públicas em áreas como economia, governança e comércio.
A referência à OCDE situa a organização no conjunto de temas internacionais considerados pelo documento. Para avaliar o alcance dessa frente, é necessário observar quais compromissos, iniciativas ou medidas relacionadas à entidade estão efetivamente previstos.
Meta de crescimento econômico
A meta de crescimento anual de 4% do PIB é um dos principais objetivos declarados no plano para o período de 2027 a 2030. Para alcançá-la, o documento reúne propostas de ajuste fiscal, revisão tributária, mudanças nas relações de trabalho, privatizações e investimentos em infraestrutura.
A estratégia também contempla setores como energia, minerais críticos e agronegócio, além de iniciativas relacionadas ao crédito e ao comércio exterior. O conjunto busca combinar mudanças na atuação do Estado com estímulos à atividade privada.
A concretização da meta depende, porém, da implementação das medidas e das condições econômicas ao longo do período. A avaliação da viabilidade do crescimento projetado exige informações sobre o financiamento das propostas, o cronograma de execução e os efeitos esperados de cada iniciativa.
O plano apresenta, assim, uma agenda econômica para 2027 a 2030 baseada na redução de despesas públicas, na revisão de regras tributárias e trabalhistas, na ampliação da participação privada e em investimentos em setores estratégicos. Os resultados dependerão do detalhamento das propostas e de sua eventual implementação.