Uso excessivo de IA pode comprometer criatividade da geração Z, diz estudo
Pesquisa da UTFPR aponta que o uso excessivo de inteligência artificial e algoritmos pode reduzir a criatividade e comprometer a inovação entre jovens.
- Publicado: 21/07/2026 15:02
- Alterado: 21/07/2026 15:02
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
O uso excessivo de IA e o consumo desenfreado de conteúdos mediados por algoritmos comprometem a criatividade das novas gerações. Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) identificou que a redução das experiências presenciais afeta diretamente os processos cognitivos estruturais. O estudo alerta para os riscos dessa dependência tecnológica no mercado de trabalho.
Esse fenômeno atinge em cheio a geração Z, cujo repertório informacional baseia-se fortemente em plataformas digitais de respostas rápidas e repetitivas. A ausência de exposição ao inesperado restringe a formação de novas conexões mentais. A curiosidade e a experimentação perdem espaço para padrões comportamentais inteiramente previsíveis.
“Há um perigo inerente ao consumo massivo de informações e entretenimento guiado exclusivamente por algoritmos preditivos nas redes sociais e plataformas digitais. Já estamos em um processo de crise criativa”, afirma o pesquisador Rodrigo de Barros, autor do estudo.
O desafio do uso excessivo de IA no mercado corporativo
Profissionais do futuro enfrentam um cenário contraditório nas organizações. Enquanto o pensamento criativo aparece como a 2ª habilidade mais exigida pelas empresas nos próximos 5 anos, segundo o relatório Future of Jobs Survey de 2023, a automação do raciocínio sufoca justamente essa competência essencial.
Sem ideias originais, a inovação estagna e vira mera reprodução do que já existe. Para mapear e reverter esse quadro impulsionado pelo uso excessivo de IA, a pesquisa analisou 1004 artigos científicos globais. O levantamento filtrou os 101 artigos mundiais de maior impacto (estado da arte) para estruturar uma nova abordagem corporativa.
“O próprio Fórum Econômico Mundial posiciona o pensamento criativo como a segunda habilidade mais relevante. No entanto, cresce um fenômeno silencioso que pode comprometer justamente a geração que ingressa agora no mercado de trabalho”, destaca Barros.
Modelo MACI propõe diagnóstico de maturidade criativa
O trabalho acadêmico gerou uma metodologia inédita no Brasil, batizada de MACI. A ferramenta avalia a criatividade corporativa por meio de 5 dimensões de aprendizagem, 25 fundamentos operacionais e 184 elementos-chave.
Um instrumento de avaliação chamado QMACI aplica 75 questões para medir o nível criativo de equipes e indivíduos. O diagnóstico automatizado funciona como um guia prático para o setor de Recursos Humanos identificar falhas nos fluxos de gestão da inovação.
“Sempre que o sistema identifica um componente com nota baixa, abaixo de 3,5, ele cruza os dados com a literatura científica e recomenda intervenções precisas e personalizadas para o RH e para a liderança atuarem”, explica o especialista.
Educação e a reconstrução do pensamento crítico
A crise na resolução de problemas complexos reflete diretamente no desempenho escolar. Avaliações como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) evidenciam a dificuldade persistente dos alunos brasileiros em aplicar o raciocínio crítico frente a desafios que fogem do padrão algorítmico.
Limitar o tempo diante de telas e incentivar atividades analógicas figuram entre as recomendações centrais do pesquisador. Escolas, famílias e corporações precisam atuar juntas para criar ambientes de reflexão, leitura e contato com a natureza. Empresas que mantêm processos criativos estruturados chegam a faturar até 2,4 vezes mais.
Preparar as próximas gerações exige priorizar o desenvolvimento humano contínuo acima da mera automação de tarefas. Em uma economia global altamente competitiva, combater o uso excessivo de IA garante que a capacidade de produzir ideias inéditas permaneça como o verdadeiro diferencial competitivo.