União Europeia barra carnes do Brasil por regras sanitárias
A partir desta quinta (3), União Europeia barra entrada de carne bovina por falta de garantias sobre o uso de antimicrobianos
- Publicado: 03/09/2026 09:23
- Alterado: 03/09/2026 09:24
- Autor: Daniela Ferreira
A União Europeia (UE) iniciou nesta quinta-feira (3), a suspensão das importações de determinados produtos de origem animal oriundos do Brasil, com destaque para a carne bovina. A medida drástica foi adotada após o bloco europeu considerar insuficientes as garantias apresentadas pelo governo brasileiro sobre o cumprimento das normas restritivas relacionadas ao uso de substâncias antimicrobianas na pecuária.
A confirmação do veto, que já havia sido sinalizado em maio com a retirada do Brasil da lista de países em total conformidade sanitária, foi ratificada por um porta-voz da Comissão Europeia no início da semana.
Rastreabilidade e o Uso de Antimicrobianos
No centro do impasse comercial está a legislação europeia que proíbe terminantemente a utilização de antimicrobianos (incluindo antibióticos) com a finalidade de promover o crescimento dos animais. A justificativa do bloco é de saúde pública global: o uso inadequado dessas substâncias no campo favorece o surgimento de “superbactérias” resistentes, que podem chegar aos seres humanos por meio dos alimentos ou do meio ambiente, comprometendo a eficácia de tratamentos médicos.

Embora o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) tenha adotado novos protocolos em julho para restringir aditivos de desempenho na pecuária, a Comissão Europeia exige garantias mais severas de rastreabilidade. Para o bloco, o Brasil precisa comprovar documentalmente que não utiliza as substâncias proibidas ao longo de todo o ciclo de vida do animal, do nascimento ao abate.
Carne Bovina e o Impacto Econômico
A suspensão atinge diretamente o faturamento do agronegócio brasileiro, que foi o segundo maior fornecedor de carne bovina da União Europeia em 2025. O setor pecuário avalia que, devido ao ciclo de vida longo do gado de corte, o tempo necessário para adequar toda a cadeia produtiva aos padrões exigidos pela Europa e restaurar a confiança do bloco poderá arrastar o bloqueio por meses ou até anos.

A decisão forçará o Brasil a tentar realocar volumes de exportação em outros mercados ou absorver parte dessa produção no mercado interno, enquanto negocia diplomaticamente. Em resposta, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) já acionou o Ministério das Relações Exteriores em busca de alternativas rápidas.
Aves e Mel Passam por Auditoria
O veto europeu também abrange, neste primeiro momento, produtos como aves, equídeos, pescados e mel. Contudo, a Comissão Europeia informou que uma auditoria específica sobre os sistemas de produção brasileiros de carne de frango e mel deve ser concluída no final desta semana.
Os resultados dessa avaliação, que não serão divulgados imediatamente, ditarão se esses produtos poderão retornar à lista de exportação do bloco antes do fim do ano. Até o momento, a UE não estabeleceu um prazo para revisar ou suspender a restrição à carne bovina brasileira.