Tutores evitam falar sobre envelhecimento dos pets
Pesquisa mostra que falar sobre o envelhecimento dos pets ainda desperta tristeza, o que pode comprometer a prevenção e a qualidade de vida dos animais.
- Publicado: 29/06/2026 14:32
- Alterado: 29/06/2026 14:32
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: ROYAL CANIN®
Uma pesquisa realizada com mil responsáveis por gatos e cães no Brasil, encomendada pela Royal Canin e conduzida pela Censuswide, revelou que o envelhecimento dos pets ainda é um tema difícil para grande parte dos tutores. O levantamento mostra que a resistência em abordar o assunto pode influenciar diretamente os cuidados com a saúde dos animais ao longo da vida.
Entre aqueles que evitam falar sobre o envelhecimento, 67% afirmam que pensar no assunto provoca tristeza, enquanto 38,7% dizem que preferem não enxergar o animal como idoso por considerá-lo parte da família. Além disso, 63% demonstram preocupação em não conseguir oferecer o suporte necessário na fase mais avançada da vida, e 32% acreditam, de forma equivocada, que não há medidas capazes de minimizar os efeitos da idade.
Check-ups e acompanhamento ainda começam tarde

Apesar de o envelhecimento ser um processo natural, muitos tutores deixam de discutir o tema durante as consultas veterinárias. Segundo o estudo, 34,3% só passam a pensar no assunto quando surgem problemas de saúde, enquanto 35,2% afirmam não adotar medidas preventivas porque o animal aparenta estar saudável.
Entre os sinais mais associados à idade estão a redução do ritmo durante os passeios, o aparecimento de pelos brancos, alterações na audição e na visão. No entanto, especialistas alertam que esses sintomas costumam surgir apenas em fases mais avançadas.
A preocupação ganha ainda mais relevância porque muitos animais adotados durante a pandemia de COVID-19 estão chegando à meia-idade. Estudos desenvolvidos com apoio do Royal Canin Research Center indicam que esse período, entre 6 e 8 anos para gatos e entre 5 e 7 anos para cães, representa uma fase decisiva para a saúde futura, quando alterações no metabolismo, na composição corporal, na função cognitiva e na mobilidade começam a ocorrer de forma silenciosa.
Embora 61,2% dos entrevistados levem seus pets para consultas periódicas e 38,5% procurem atendimento ao notar mudanças de comportamento, 25% apontam os custos veterinários como um dos principais obstáculos para agir de maneira antecipada.
Longevidade saudável depende de ações preventivas
De acordo com Priscila Rizelo, médica-veterinária e gerente de Comunicação e Assuntos Científicos da Royal Canin Brasil, o envelhecimento começa antes do que muitos imaginam.
“O envelhecimento de nossos animais começa antes do que muitos de nós imaginamos, frequentemente durante a metade da vida, quando gatos e cães ainda parecem perfeitamente saudáveis e cheios de energia. Iniciar check-ups e conversas de forma preventiva é a chave para garantir não apenas uma vida mais longa, mas com mais qualidade e saúde.”
Nesse cenário, ganha força o conceito de longevidade saudável, que prioriza não apenas o aumento da expectativa de vida, mas também a manutenção da saúde antes do surgimento de doenças crônicas. Nutrição adequada, controle de peso, prática de atividades físicas, acompanhamento veterinário regular e intervenções precoces estão entre os fatores considerados fundamentais para que os pets envelheçam com mais qualidade.
Mesmo assim, o levantamento mostra que as maiores preocupações ainda estão relacionadas às doenças. O câncer lidera os temores, citado por 42,5% dos entrevistados, seguido pelos problemas de mobilidade e articulações (28,9%) e pelas doenças renais (11,3%).
Relação afetiva fortalece cuidados com os animais
Os dados também indicam uma mudança na percepção dos brasileiros. Para 35,2%, a alimentação específica tem maior impacto na qualidade de vida durante a maturidade, enquanto 34,1% destacam a importância dos check-ups regulares. Outros 46,6% consideram essencial compreender melhor o processo de envelhecimento.
Além disso, 33% afirmam estar dispostos a adaptar a rotina familiar para oferecer melhores cuidados aos pets. Entre as mudanças mais citadas estão levá-los com maior frequência para atividades ao ar livre (51,7%), reduzir o tempo dedicado ao lazer fora de casa (39,9%), passar as férias em casa (25,2%), cancelar viagens (15,5%) e até mudar de residência para atender às necessidades do animal (27,9%).
O estudo também evidencia o forte vínculo afetivo entre tutores e animais. Mais da metade dos entrevistados comemora os aniversários todos os anos, 77,7% compram presentes nessas ocasiões, com gasto médio de R$ 178,93, e 57,5% afirmam enxergar o animal como um filho ou irmão. Outros 36% dizem gastar mais com presentes para eles do que com parceiros ou familiares.
Para Priscila Rizelo, a chegada à meia-idade dos chamados “animais da pandemia” representa uma oportunidade para transformar a forma como o envelhecimento é encarado.
“Quanto mais cedo começamos a cuidar da saúde dos nossos pets, maiores são as chances de proporcionar mais anos de vida com qualidade. Esse é o verdadeiro significado da longevidade saudável.”