Trump anuncia bloqueio naval e pedágio no Estreito de Hormuz
Trump confirma a retomada do bloqueio marítimo contra o Irã e ameaça atacar bunker nuclear de Natanz em nova escalada de tensões
- Publicado: 13/07/2026 22:48
- Alterado: 13/07/2026 22:48
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: FolhaPress
O presidente Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (13) que os Estados Unidos retomarão o bloqueio naval a embarcações iranianas no Estreito de Hormuz. Além de restabelecer o cerco, o republicano declarou que pretende cobrar um pedágio de 20% sobre as cargas que transitam pela região para custear as operações de segurança marítima lideradas pelas forças americanas.
A Marinha dos EUA confirmou que a medida começará a vigorar a partir das 17h (horário de Brasília) desta terça-feira (14). Em resposta imediata à ofensiva de Trump, as forças militares do Irã prometeram reagir e declararam que qualquer auxílio de países vizinhos aos americanos será tratado como um ato de guerra.
Pedágio de 20% e controle marítimo
A proposta de cobrar taxas sobre a navegação comercial em águas internacionais gerou forte debate econômico. O presidente defendeu a medida sob o argumento de que os EUA atuam de forma isolada na proteção de uma das rotas comerciais mais importantes do planeta.
“Nós vamos manter o controle do estreito e provavelmente administrá-lo. Seremos os guardiões do estreito. Talvez o anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados por isso”, afirmou Trump em entrevista à emissora Fox News.
Posteriormente, em uma rede social, o líder americano detalhou as regras da operação:
“Nós estamos reinstalando o bloqueio iraniano, assim chamado porque só vai parar navios ou clientes iranianos de entrar ou sair. Todos os outros países terão o uso aberto e livre do estreito. Por uma questão de justiça, nós seremos reembolsados, em uma taxa de 20% de toda a carga transportada, por qualquer custo necessário para fazer o trabalho de prover segurança nessa área muito volátil do mundo.”
Ameaça a bunker nuclear em Natanz
Além do controle financeiro e físico de Hormuz, Trump elevou a retórica militar ao ameaçar diretamente o programa nuclear de Teerã. Ele afirmou que o governo americano planeja neutralizar a instalação de Natanz, localizada a cerca de 220 quilômetros a sudeste da capital iraniana, conhecida pelo codinome de “Montanha da Picareta”.
Embora o presidente não tenha especificado o método a ser utilizado no ataque a Natanz, novos bombardeios foram registrados logo após a meia-noite de terça-feira (14, fim de tarde de segunda no Brasil). Em contrapartida, o Irã atacou dois navios petroleiros dos Emirados Árabes Unidos nas proximidades de Omã, resultando em uma morte confirmada pelo governo de Abu Dhabi.
Resposta militar e o impacto no mercado de petróleo
O comando militar conjunto do Irã publicou uma nota oficial rechaçando a interferência dos EUA na passagem estratégica. O país alertou que atacará qualquer embarcação que trafegue fora das rotas por eles designadas sem autorização prévia.
O acirramento das hostilidades ocorre após Trump declarar, na semana passada, o fim do cessar-fogo que vigorava desde 17 de junho. O conflito entrou em uma fase de ataques sistemáticos mútuos, com os EUA utilizando drones aquáticos contra estaleiros iranianos e Teerã alvejando bases americanas em países vizinhos como Bahrein, Kuwait e Jordânia.
Atualmente, o fluxo comercial em Hormuz registra seus índices mais baixos. Segundo monitoramento da consultoria de dados de energia Kpler, apenas 14 navios cruzaram o estreito com transponders ligados no último domingo (12). Antes do início dos confrontos em fevereiro, a média diária de tráfego na região era de aproximadamente 140 embarcações de grande porte.