Teste da Orelhinha: atenção à audição desde o nascimento
O Teste da Orelhinha é essencial desde o nascimento, mas o acompanhamento da audição deve continuar durante toda a infância
- Publicado: 18/08/2026 15:05
- Alterado: 18/08/2026 15:05
- Autor: Daniela Penatti
A audição tem papel fundamental no desenvolvimento infantil e começa a influenciar a comunicação muito antes das primeiras palavras. Desde os primeiros meses, a criança utiliza os sons para reconhecer a voz dos pais, interagir com o ambiente e construir habilidades relacionadas à fala.
Teste da Orelhinha é o primeiro cuidado auditivo

Realizado ainda na maternidade, o exame é rápido, indolor e permite identificar possíveis alterações auditivas. Quando há alguma indicação de alteração, a família pode ser orientada a buscar avaliação especializada.
Segundo o otorrinolaringologista Thiago Brunelli, do Hospital Santa Casa de Mauá, um resultado normal na triagem é positivo, mas não elimina a necessidade de acompanhar a saúde auditiva durante o crescimento.
“Algumas alterações surgem com o tempo ou não aparecem na triagem. Os pais precisam estar atentos às respostas da criança aos sons e acompanhar os marcos de desenvolvimento”, explica o especialista.
Nos primeiros meses, alguns comportamentos podem indicar que o bebê está reagindo adequadamente aos estímulos sonoros. A criança pode se acalmar ao ouvir a voz dos pais ou demonstrar atenção diante de determinados ruídos.
Com o desenvolvimento, outros sinais passam a ser observados. Entre eles estão a falta de resposta quando o bebê é chamado, a dificuldade para identificar a origem de um som e o pouco interesse pela voz humana.
Desenvolvimento da comunicação exige atenção
Além das reações aos sons, os responsáveis devem acompanhar a evolução da comunicação. Balbucios, tentativas de reproduzir sons, compreensão de palavras e ampliação do vocabulário fazem parte desse processo.
Caso a criança não apresente comportamentos esperados para sua faixa etária ou deixe de reagir a sons aos quais anteriormente respondia, a recomendação é conversar com o pediatra e buscar avaliação de um otorrinolaringologista.
Problemas frequentes durante a infância também podem interferir temporariamente na audição. As otites, por exemplo, podem provocar acúmulo de líquido no ouvido médio e reduzir a capacidade de ouvir, especialmente quando os episódios são recorrentes.
Alterações auditivas podem afetar aprendizagem
Na idade escolar, alguns sinais podem ser confundidos com desatenção ou dificuldade de concentração. A necessidade frequente de aumentar o volume da televisão, os pedidos constantes para repetir frases e a dificuldade para acompanhar conversas também merecem investigação.
“É importante diferenciar a dificuldade de concentração de uma criança que não está ouvindo bem. Uma perda auditiva, mesmo que temporária, pode interferir na compreensão das orientações, na interação social e na aprendizagem”, afirma Brunelli.
A avaliação especializada deve ser procurada sempre que houver mudanças no comportamento relacionadas à audição ou à comunicação. A investigação pode envolver observação clínica, novos exames e tratamentos específicos.
Nos casos de perda auditiva permanente, as possibilidades de intervenção incluem aparelhos auditivos, implantes cocleares e acompanhamento fonoaudiológico, de acordo com as necessidades individuais de cada criança.
O acompanhamento ao longo do desenvolvimento, portanto, continua sendo importante mesmo quando a triagem realizada após o nascimento apresenta resultado dentro da normalidade. A atenção dos responsáveis aos marcos de comunicação e às respostas aos sons pode contribuir para a identificação precoce de alterações.