Temer fica em silêncio durante depoimento na Superintendência da PF no Rio

Ex-presidente preso na Operação Descontaminação por suspeita de liderar organização criminosa por mais de 40 anos permaneceu calado nesta sexta quando questionado pela Polícia Federal

Temer fica em silêncio durante depoimento na Superintendência da PF no Rio

Crédito: Divulgação

O ex-presidente Michel Temer (MDB) se reservou ao direito de ficar em silêncio em depoimento à Polícia Federal nesta sexta, 22. O emedebista está preso desde o dia anterior, na sede da PF do Rio, no âmbito da Operação Descontaminação, braço da Lava Jato no Estado. O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, Antonio Ivan Athié, determinou a inclusão do pedido liminar de liberdade do ex-presidente na pauta da quarta-feira, 27.

Temer ainda pediu para que fosse consignado no termo de audiência na Polícia Federal, nesta sexta, 22, que considera a investigação que o prendeu um ‘rematado absurdo’.

O amigo de Temer, Coronel Lima, seguiu a mesma estratégia e ficou em silêncio.

Já o ex-ministro Moreira Franco (Minas e Energia) não escolheu o silêncio como estratégia de defesa. Ele respondeu às perguntas da PF e, segundo seu advogado, Antonio Sérgio de Moraes Pitombo, ‘evidenciou ponto a ponto como as conjecturas são absurdas’.

A investigação que levou Temer à prisão preventiva mira supostas propinas de R$ 1 milhão da Engevix. Também foram detidos preventivamente o ex-ministro Moreira Franco (MDB), e seu amigo João Baptista Lima Filho, o Coronel Lima. Tiveram a prisão decretada ainda outros 8 sob suspeita de intermediar as vantagens indevidas ao ex-presidente.

Esta não é a primeira vez que o emedebista silencia diante das autoridades em investigações. Ele se recusou a responder várias indagações da Polícia Federal em duas investigações alegando ora, ‘hostilidade’ da autoridade policial, ora ‘descabimento’ das questões abordadas. O ex-presidente foi inquirido a prestar esclarecimentos no inquérito dos Portos, que resultou em denúncia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e em investigação da Odebrecht em que a PF atribuiu a ele indícios de corrupção.

O Ministério Público Federal vai denunciar na semana que vem o ex-presidente Michel Temer por peculato, corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a procuradora Fabiana Schneider, o ex-presidente chefiava uma organização criminosa que roubou dos cofres públicos por cerca de 40 anos.

  • Publicado: 23/03/2019 12:29
  • Alterado: 23/03/2019 12:29
  • Autor: Redação ABCdoABC