Tarifaço dos EUA gera perda de R$ 66,8 bi a municípios
Com o impacto do Tarifaço norte-americano, 271 cidades zeraram as vendas para os EUA e as exportações brasileiras caíram ao menor patamar
- Publicado: 19/10/2026 11:24
- Alterado: 19/10/2026 11:24
- Autor: Daniela Ferreira
O tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos às exportações brasileiras provocaram um impacto negativo de R$ 66,8 bilhões na economia dos municípios brasileiros.
A estimativa consta em um estudo inédito divulgado nesta segunda-feira (19) pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), conforme noticiado pelo Jornal SBC. A análise abrange o período entre agosto de 2025 e julho de 2026, revelando que 1.135 cidades registraram perdas diretas em suas arrecadações locais.
Redução nos embarques e municípios mais afetados
Segundo o levantamento da entidade municipalista, o volume de exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano caiu do patamar de 12,3% para 9,4% no período analisado, atingindo o menor nível registrado desde o ano de 2021.

Entre os municípios impactados pelo tarifaço, 271 cidades zeraram completamente as vendas de produtos para os Estados Unidos, perdendo uma receita anual estimada em R$ 588 milhões. Outros 864 municípios contabilizaram uma queda média de 30% nos valores obtidos com o comércio exterior.
A pesquisa aponta que 657 municípios afetados (58% do total) não conseguiram redirecionar sua produção para novos parceiros comerciais, sendo que as maiores dificuldades operacionais foram registradas em cidades de pequeno porte.
Commodities atingidas e balanço por setor
A retração econômica concentrou-se principalmente nas cadeias produtivas de petróleo, café, suco de laranja, ferro-gusa e silvicultura. Somadas, as perdas registradas pelos cinco setores chegaram a US$ 1 bilhão.
O volume de exportações do setor petrolífero encolheu 28%, enquanto os embarques de café registraram queda de 43%. No segmento do suco de laranja, os prejuízos decorreram de uma retração de 33,7% no preço médio, a despeito de um aumento de 13,6% no volume físico exportado.
Já os mercados de ferro-gusa e silvicultura apresentaram quedas tanto na quantidade embarcada quanto nos valores médios praticados no exterior.
Avaliação da presidência da CNM e recomendações
O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, destacou a urgência de diversificar a pauta exportadora dos municípios para diminuir a dependência de grandes mercados internacionais:

“O protecionismo, as barreiras sanitárias e as tensões geopolíticas globais tendem a gerar efeitos duradouros. Para proteger a arrecadação e garantir a manutenção dos empregos locais, é necessário reduzir a dependência de um único comprador, fortalecendo a diversificação produtiva e comercial no mercado interno e com novos parceiros internacionais”, avaliou Ziulkoski.
O dirigente enfatizou que a ampliação das trocas comerciais com outros blocos econômicos é um passo fundamental para restabelecer a estabilidade financeira e a sustentabilidade das economias municipais frente às oscilações do mercado global.