Tarcísio recua e diz que não deve privatizar novas linhas do Metrô
Governador reavalia concessões e aponta que excesso de linhas sob controle de poucas empresas privadas prejudica serviço aos passageiros.
- Publicado: 30/06/2026 14:34
- Alterado: 30/06/2026 14:34
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Governo de SP
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, anunciou nesta terça-feira (30) a interrupção do plano de conceder novas linhas férreas à iniciativa privada. A decisão foca em evitar a concentração do sistema de transporte nas mãos de poucas empresas, preservando a qualidade do atendimento aos passageiros da rede estadual.
O chefe do Executivo paulista afirmou que o Metrô apresenta bom desempenho e deve continuar responsável por esses trajetos. “A capacidade que a gente tem que ter é de mudar de opinião. Não é aquele negócio de eu preciso necessariamente ter a iniciativa privada operando”, declarou o governador.
Tarcísio avalia impacto das concessões na rede de transporte
A mudança de rota adotada por Tarcísio ocorre após desgastes recentes envolvendo a ViaMobilidade. Nos últimos três anos, a concessionária tornou-se alvo de inquéritos do Ministério Público devido a falhas operacionais frequentes nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda.
A dificuldade de atrair operadores estrangeiros e o risco de formar monopólios no setor ferroviário motivaram a reavaliação governamental. “Hoje a tendência é que as linhas operadas pelo Metrô continuem operadas pelo Metrô”, detalhou o gestor estadual.
Extensão da Linha 17-Ouro e ampliação de testes
Durante a inauguração da oitava estação do monotrilho da Zona Sul, o governo confirmou a ampliação do período de operação assistida. A via passará a funcionar das 09h às 16h, de segunda a sexta-feira.
Inicialmente prometido para a iniciativa privada logo após os testes, o trajeto também está no radar de Tarcísio para continuar sob gestão estatal. O modelo de negócios seguiria o padrão já adotado na Linha 15-Prata, localizada na Zona Leste da capital.
Retirar o monotrilho deficitário do pacote privado pode gerar um reequilíbrio contratual vantajoso para os cofres públicos paulistas. “Sendo favorável ao estado, essa diferença pode ser utilizada em outros investimentos e expansões nas linhas que já são operadas”, argumentou.
Pragmatismo acima de dogmas políticos
Questionado sobre a relação da medida com as eleições de outubro, o governador descartou cálculos políticos ou eleitorais. Tarcísio reforçou que age com pragmatismo para garantir a eficiência do serviço ao cidadão e que não atua baseado em dogmas absolutos sobre privatizações.