São Paulo completa 38 anos sem casos de poliomielite

Estado não registra a doença há quase quatro décadas. Queda na vacinação acende alerta para o risco do poliovírus voltar a circular.

São Paulo completa 38 anos sem casos de poliomielite

Crédito: Helber Aggio/PSA

O Estado de São Paulo alcança a marca de 38 anos sem nenhum registro da infecção causadora da poliomielite. O vírus paralisante atacou um paciente no território paulista pela última vez em 1988, na cidade de Teodoro Sampaio. O marco epidemiológico reflete o impacto contínuo do sistema público de vacinação construído ao longo das últimas décadas.

As campanhas massivas de imunização provocaram um declínio abrupto dos contágios. Os prontuários médicos apontavam 101 casos da doença em 1980, mas o número despencou em uma redução de 93% nas infecções no ano seguinte. O Brasil confirmou sua ocorrência final em 1989 e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) certificou as Américas como zona livre do poliovírus selvagem em 1994.

Ameaça global da poliomielite e a barreira vacinal

O agente patógeno da poliomielite circula ativamente em países asiáticos como Afeganistão e Paquistão. Surtos associados a variantes derivadas da vacina oral ocorrem em diferentes partes do mundo e ameaçam populações desprotegidas. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) concentra esforços para fechar o cerco imunológico e bloquear a entrada do vírus.

Os índices atuais de imunização falham em atingir a meta de 95% de proteção estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). O levantamento da pasta paulista aponta uma cobertura de 88,74% entre crianças menores de um ano e uma taxa de 84,51% para o primeiro reforço. Agentes de saúde mapeiam carteirinhas atrasadas para orientar as famílias.

Novo esquema de injeções

O governo brasileiro alterou a estratégia de combate contra a poliomielite e substituiu as antigas gotinhas pelo método injetável exclusivo desde o início do ano. As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) fornecem as injeções da vacina inativada (VIP) gratuitamente. O calendário nacional exige aplicações rigorosas aos dois, quatro e seis meses de idade.

As crianças recebem o primeiro reforço de proteção aos 15 meses. O sistema adicionou uma segunda dose de reforço aos quatro anos de idade a partir de agosto. A medida reforça a produção de anticorpos e solidifica as defesas do organismo na primeira infância.

Monitoramento de casos suspeitos

A vigilância contínua da poliomielite acontece através do rastreio de sintomas motores na população infantil. O Programa de Vigilância das Paralisias Flácidas Agudas (PFA) acompanha toda notificação de perda de força muscular repentina em pacientes menores de 15 anos de idade.

O protocolo médico exige a coleta de amostras fecais no prazo preferencial de 14 dias após o início da fraqueza motora. O paciente passa por uma reavaliação neurológica aos 60 dias da suspeita. O rastreio rápido e preciso constrói a principal trincheira para impedir o retorno da poliomielite ao cotidiano das famílias brasileiras.

Thiago Antunes

  • Publicado: 23/10/2026 10:34
  • Alterado: 23/10/2026 10:34
  • Autor: Thiago Antunes