Sleeping Giants evitou investimento de mais de R$ 203 milhões em fake news

Criado em um cenário pandêmico, o SGBR se uniu à luta contra a desinformação e o discurso de ódio através de mobilizações e engajamento do seu público

  • Data: 10/07/2024 15:07
  • Alterado: 10/07/2024 15:07
  • Autor: Redação
  • Fonte: Assessoria
sleeping-giants

Crédito:Divulgação

Você está em:

Tudo começou em 2020, quando os paranaenses Leonardo Leal e Mayara Stelle e o mineiro Humberto Ribeiro, então estudantes de direito, sob um cenário isolado e caótico de proliferação de fakes news durante a pandemia, criaram o perfil do Sleeping Giants no Brasil (SGBR), a exemplo de outros braços do movimento já atuantes em diversos países.

O movimento, que surgiu para desmonetizar conteúdo desinformativo na internet, completa quatro anos de existência somando 92 campanhas com alertas a consumidores e anunciantes para o uso de publicidade em sites e perfis em redes sociais acusados de disseminar mensagens falsas e discurso de ódio. 

Na luta contra a desinformação online, o Sleeping Giants Brasil estima que, desde sua fundação, seus alvos deixaram de receber mais de R$203 milhões em anúncios e campanhas de crowdfunding interrompidos pela pressão de seus apoiadores, segundo contabilização dos fundadores do movimento.

Ao todo, foram 1.646 alertas enviados a empresas instadas a se manifestar sobre a veiculação de seus anúncios em sites desinformativos, em 92 campanhas. Destas, 1.170 responderam e se comprometeram a retirar a publicidade dos portais, resultando em uma eficácia de 72%. Empresas renomadas como Bradesco, Adidas, Ford, Fiat, Uber e Amazon estão entre as que aderiram à iniciativa para proteger suas marcas. 

O movimento mundial foi indicado ao Nobel da Paz pelo político Francês Eric Bothorel em fevereiro deste ano. No Brasil, a atuação se destacou no combate às fake news sobre as enchentes que ocorreram no Rio Grande do Sul em maio de 2024. A tragédia impulsionou um acordo inédito da Advocacia-Geral da União (AGU) com plataformas digitais para impedir a disseminação de desinformação durante a crise e o movimento lançou o perfil @desinfoclima, no Instagram, focado em combater fake news relacionadas ao clima e meio ambiente, sublinhando a importância desse tema no contexto atual. 

Além disso, em abril, após os acontecimentos envolvendo o X (antigo twitter) e Elon Musk contra a Justiça brasileira, o Sleeping Giants, lançou uma de suas maiores campanha até hoje, o #DesmonetizaTwitter.

A campanha, que aconteceu através das redes sociais da organização, foi realizada não só com o intuito de pressão às empresas que anunciam na rede social de multimilionário, mas também de conscientização, transparência e a informação sobre a importância da regulação das redes sociais, através de conteúdos, pesquisas e dados concretos sobre os mecanismos por trás do X. A ação teve como resultado a suspensão de novas campanhas na plataforma pela  Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República. 

O Sleeping Giants vem atuando ativamente também na produção de artigos, pesquisas e análises das falhas na publicidade digital, como o relatório produzido para a consulta pública do Ministério da Fazenda sobre a regulação econômica e concorrencial de plataformas digitais no Brasil. Neles, o movimento destaca com estudos e pesquisas, as principais falhas e brechas que permitem o lucro das big techs com a distribuição de publicidade em sites de desinformação. A falta de transparência nos modelos de negócios das plataformas é uma preocupação central. Sabendo dessa realidade, o Sleeping Giants Brasil propõe caminhos para melhorar a transparência e evitar que empresas monetizem inadvertidamente perfis e sites desinformativos, defendendo também a regulação das redes, através da PL 2630. 

Nas redes sociais, os perfis do Sleeping Giants Brasil contam com mais de 1 milhão de seguidores.  

Outras ações de destaque da organização nos últimos 4 anos

Entre os alvos do Sleeping Giants Brasil está uma gama de extremistas. Além do canal Terça-Livre, o blogueiro foragido Allan dos Santos, foi banido do YouTube e perdeu contratos com empresas como a PayPal. A plataforma de pagamentos também excluiu Olavo de Carvalho (1947-2022), que perdeu outras centenas de financiadores.

O vereador Gabriel Monteiro (PL-RJ), réu por filmar relações sexuais com uma adolescente, foi expulso do programa de parcerias do Youtube após campanha para desmonetizá-lo. O parlamentar recebia mais de R$ 300 mil, segundo seus assessores. Além disso, também no campo político, a cassação do ex-vereador Camilo Cristófaro (Avante-SP) contou com a pressão popular digital na campanha promovida pelo movimento. 

Outros sites que entraram na mira do movimento foram “Jornal da Cidade Online”, “Conexão Política” e “Brasil Sem Medo”. A radical da extrema-direita Sara Winter, o youtuber Bernardo Kuster e o blogueiro Oswaldo Eustáquio, também integram a lista. Além disso, a organização denunciou a recente polêmica envolvendo a CEO da Nubank, Cristina Junqueira, a produtora Brasil Paralelo e o Ranking dos Políticos.

Compartilhar:

  • Data: 10/07/2024 03:07
  • Alterado: 10/07/2024 03:07
  • Autor: Redação
  • Fonte: Assessoria









Copyright © 2023 - Portal ABC do ABC - Todos os direitos reservados