Serviços lideram geração de empregos em SP; varejo perde vagas
Setor de serviços abriu mais de 20 mil postos formais em abril no Estado, enquanto o comércio registrou saldo negativo, pressionado pelo consumo mais fraco e pelo crédito mais caro
- Publicado: 25/06/2026 09:52
- Alterado: 25/06/2026 09:52
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FecomercioSP
O setor de serviços segue sustentando a geração de empregos no Estado de São Paulo em 2026. Dados da Pesquisa de Emprego no Estado de São Paulo (PESP), elaborada pela FecomercioSP com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostram que o segmento criou 20,3 mil vagas formais em abril, consolidando o quarto mês consecutivo de saldo positivo.
Entre janeiro e abril, os serviços acumularam a criação de 147.999 empregos com carteira assinada. O desempenho contrasta com o do varejo, que encerrou o mesmo período com fechamento de 18.933 postos de trabalho.
Logística e saúde impulsionam contratações
As atividades ligadas à logística foram as principais responsáveis pelo avanço do emprego no setor de serviços. O segmento de transporte, armazenagem e correio registrou saldo positivo de 8.651 vagas em abril.
Outro destaque foi a área de saúde humana e serviços sociais, que abriu 5.187 novos postos de trabalho no mês. Segundo a FecomercioSP, o resultado reflete a demanda contínua por serviços essenciais e a resiliência dessas atividades mesmo em um cenário econômico de crédito mais restritivo.
Comércio registra retração no Estado
Enquanto os serviços avançaram, o comércio paulista apresentou desempenho negativo. Em abril, o setor fechou 5.765 vagas formais, ampliando para 13.466 o saldo negativo acumulado no ano.
O varejo concentrou praticamente toda a retração do período, com fechamento de 5.721 postos no mês. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o segmento já soma perda de 18.933 empregos.
A desaceleração também aparece na comparação anual. Em abril de 2025, o comércio paulista havia registrado a criação de cerca de 12 mil vagas. Um ano depois, o resultado passou para saldo negativo de 5,7 mil postos.
Crédito caro afeta consumo das famílias
De acordo com a análise da FecomercioSP, o enfraquecimento do mercado de trabalho no comércio está diretamente relacionado ao custo elevado do crédito.
Com juros mais altos, as famílias tendem a reduzir gastos e adiar compras financiadas ou parceladas, afetando especialmente o varejo, um dos setores mais dependentes do consumo das famílias. A redução das vendas acaba impactando o ritmo de contratações e, em alguns casos, leva ao fechamento de vagas.
Capital paulista segue mesma tendência
Na cidade de São Paulo, o comportamento dos setores acompanhou o cenário estadual. O comércio encerrou abril com saldo negativo de 1.894 empregos formais e acumula perda superior a 5 mil vagas em 2026.
O varejo foi o principal responsável pelo resultado, com fechamento de aproximadamente 6,1 mil postos entre janeiro e abril.
Já o setor de serviços manteve trajetória positiva. Somente em abril, foram criadas quase 2 mil vagas formais na capital, elevando para 42.051 o saldo acumulado no ano.
As atividades de saúde humana e serviços sociais lideraram as contratações, com 1.787 novos postos, seguidas pelos segmentos de alojamento e alimentação, responsáveis por 842 vagas.
Perspectivas para o segundo semestre
A evolução do mercado de trabalho paulista nos próximos meses deverá continuar ligada ao desempenho da economia e às condições de crédito. A expectativa é que o setor de serviços mantenha crescimento mais consistente, apoiado pela demanda por atividades essenciais.
Já o comércio dependerá de uma recuperação mais robusta do consumo para voltar a registrar um ritmo de contratações semelhante ao observado nos anos anteriores.