Sergio Moro é eleito governador do Paraná no 1º turno
Após atuação no Senado, Sergio Moro garante vitória e assume o Poder Executivo do Paraná com propostas voltadas à gestão e segurança
- Publicado: 04/10/2026 21:12
- Alterado: 04/10/2026 21:12
- Autor: Daniela Ferreira
O senador e ex-juiz federal Sergio Moro (PL) foi eleito governador do Estado do Paraná em primeiro turno neste domingo (4). O candidato do Partido Liberal ultrapassou a marca de 3,1 milhões de votos, atingindo a maioria absoluta dos votos válidos e assegurando a vitoria definitiva sem a necessidade de um segundo turno.
A vitória do ex-magistrado consolida a mudança no comando do Poder Executivo paranaense para os próximos quatro anos. O empresário Edson Vasconcelos (PL) compõe a chapa como vice-governador eleito e assumirá a gestão estadual ao lado de Moro a partir de 1º de janeiro de 2027.
Na disputa pelo Palácio Iguaçu, Sergio Moro superou o deputado Sandro Alex (PSD), que ficou em segundo lugar ao somar mais de 1,5 milhão de votos, e Mauricio Thadeu de Mello e Silva, o Requião Filho (PDT), terceiro colocado com mais de 1,4 milhão de votos. A eleição contou ainda com as candidaturas de Luiz França (Missão), Tayná Miessa (UP), Alexandre Salomão (Mobilização), Samuel de Mattos (PSTU) e Adriano Teixeira (PCO).
Origem na magistratura federal e o impacto da Operação Lava Jato

Nascido em Maringá, no interior do estado, Sergio Moro formou-se em Direito pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e ingressou na magistratura federal em 1996, aos 24 anos. Ao longo da carreira como juiz especializado em crimes financeiros e lavagem de dinheiro, atuou em casos de grande repercussão nacional, como o caso Banestado, e prestou auxílio ao Supremo Tribunal Federal durante o julgamento do Mensalão.
Sua projeção pública atingiu dimensão nacional e internacional a partir de 2014, quando assumiu a titularidade dos processos da Operação Lava Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba. À frente da força-tarefa, Moro assinou prisões e condenações de altos executivos de empreiteiras, doleiros e figuras centrais da política brasileira de diferentes partidos.
O ponto máximo de sua atuação no Judiciário ocorreu em 2017, com a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Anos mais tarde, em 2021, essas decisões foram anuladas pelo STF, que declarou a suspeição e a parcialidade do ex-juiz na condução dos processos envolvendo o líder petista.
Passagem pelo Ministério da Justiça e transição para a política partidária

Após renunciar à magistratura no final de 2018 para encerrar uma carreira de 22 anos no Judiciário, Sergio Moro aceitou o convite para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo de Jair Bolsonaro. Em sua gestão no Executivo federal, entre janeiro de 2019 e abril de 2020, priorizou pautas de endurecimento de penas, isolamento de lideranças do crime organizado em presídios de segurança máxima e a tramitação do Pacote Anticrime.
Sua saída do governo federal ocorreu de forma conturbada em abril de 2020, quando pediu demissão acusando publicamente a Presidência da República de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal. Após deixar o ministério, Moro teve uma breve passagem pelo setor privado atuando como consultor de conformidade e integridade corporativa.
O ingresso oficial na política partidária ocorreu no ciclo eleitoral seguinte. Após se filiar ao Podemos e, posteriormente, ao União Brasil, disputou sua primeira eleição direta em 2022, elegendo-se senador pelo Paraná com mais de 1,9 milhão de votos.
Consolidação no PL, eleição para o governo e diretrizes de gestão
Em 2026, Moro migrou para o Partido Liberal (PL), consolidando sua liderança no campo da centro-direita no Paraná. Sob o número 22, estruturou uma campanha focada na defesa do desenvolvimento regional, fortalecimento da segurança pública e modernização da máquina estatal.
Entre as principais diretrizes aprovadas nas urnas para o governo do Estado estão:
- Segurança e Combate à Corrupção: Implementação do programa “Fronteira Segura” na região de Foz do Iguaçu, criação da Agência Anticorrupção e fortalecimento das forças-tarefa policiais.
- Gestão e Desenvolvimento Regional: Criação de Fóruns Regionais para descentralizar a gestão estadual e ampliação dos investimentos na infraestrutura logística do Porto de Paranaguá.
- Saúde e Educação: Implantação da Tabela SUS Paranaense, digitalização integrada do atendimento hospitalar e expansão do ensino público em tempo integral aliado à formação técnica.
A transição de governo no Paraná terá início oficial nos próximos dias, sob supervisão das equipes designadas pelo novo governador e pelo Tribunal Regional Eleitoral.
Para acompanhar os relatórios de votação detalhados por município e zona eleitoral, acesse o portal do Tribunal Superior Eleitoral e do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná.