Senado deve votar hoje PEC que acaba com a escala 6x1

O Senado Federal decide nesta quarta o futuro da jornada de trabalho no Brasil com acordo que uniu governistas e oposição antes da eleição.

Senado deve votar hoje PEC que acaba com a escala 6x1

Crédito: Carlos Moura/Agência Senado

O Senado Federal vota nesta quarta-feira a proposta de emenda à Constituição que decreta o fim da escala 6×1. Governistas e oposição construíram um acordo unificado para aprovar a matéria de forma definitiva. O regimento exige cinco dias úteis de intervalo e três sessões de discussão, mas os parlamentares articulam um requerimento de urgência para contornar essas travas temporais.

A meta do Congresso Nacional é promulgar o texto até quinta-feira, dia 22 de outubro, na reta final das campanhas municipais. O calendário reflete a tentativa de diversos grupos políticos de capitalizar os dividendos eleitorais gerados por uma medida de alto apelo popular.

Lula foca no eleitorado empreendedor

Fim da escala 6x1 ganha apoio de Flávio e Lula foca nos MEI
Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou a mobilização nacional sobre os direitos trabalhistas em um ativo para dialogar diretamente com os microempreendedores individuais. O governo explorou a mudança de postura da oposição como uma vitória política da própria pauta progressista.

“Se todo mal que eu causar a esse país for fazer a direita avançar e atender aos direitos do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo”, ressaltou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Planalto exige a manutenção integral da renda dos trabalhadores durante todo o processo de transição. A votação decisiva de hoje no plenário do Senado sacramenta a extinção da escala 6×1 e consolida a maior reestruturação nas dinâmicas de contratação do país nas últimas décadas.

Flávio Bolsonaro apoia fim da escala 6×1

Debate da TV Globo perde Flávio Bolsonaro após decisão
(Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

A forte pressão da opinião pública e o desgaste acentuado nas redes sociais alteraram a rota do Partido Liberal. A legenda havia esvaziado a primeira sessão de debates no dia 6 de outubro e acusado o governo de oportunismo tático. O cenário mudou radicalmente nas últimas horas.

O senador Flávio Bolsonaro reverteu sua posição original logo após uma reunião com o ex-presidente Jair Bolsonaro. A sobrevivência política da direita parlamentar diante do engajamento massivo da classe trabalhadora motivou o recuo estratégico.

“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6×1, então vou votar a favor”, declarou o senador Flávio Bolsonaro.

O parlamentar condicionou a alteração constitucional da escala 6×1 à criação de compensações financeiras federais. A cúpula do partido argumenta que o impacto da mudança sem subsídios estatais sufocará o setor produtivo. Um texto alternativo de autoria do senador Rogério Marinho propõe a flexibilização de horários atrelada à redução proporcional dos salários, modelo totalmente rechaçado pela base governista.

Cronograma da nova jornada de trabalho

Fim da escala 6x1 - 6x1
Paulo Pinto/Agência Brasil

O texto validado pela Comissão de Constituição e Justiça em 2 de setembro estipula a redução das horas semanais de 44 para 40 horas. O novo formato obriga a concessão de dois dias de folga remunerada na semana. A legislação orienta que um desses repousos aconteça preferencialmente aos domingos.

As empresas ganharam um prazo de adaptação desenhado em duas etapas para diluir o choque financeiro na folha de pagamento. A transição impõe a redução para 42 horas em dois meses de forma imediata após a promulgação. O limite cai para o teto definitivo de 40 horas em um ano.

A futura regra da escala 6×1 prevê uma blindagem específica voltada para cargos de alta remuneração. As novas amarras não atingem os trabalhadores com ensino superior que ganhem mais de R$ 21.188 por mês. Esse corte financeiro corresponde a uma renda superior a 2,5 vezes o teto de benefícios do INSS.

Thiago Antunes

  • Publicado: 14/10/2026 07:21
  • Alterado: 14/10/2026 08:20
  • Autor: Thiago Antunes