Saúde confirma 2 novos casos de sarampo em São Paulo
Com novos registros na capital, total de infecções por sarampo chega a sete em 2026. Saúde recomenda dose zero para bebês na região
- Publicado: 30/06/2026 21:48
- Alterado: 30/06/2026 21:48
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: Secretaria de Saúde
A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo confirmou nesta terça-feira (30) dois novos casos de sarampo no estado. Com os diagnósticos recentes, o total de infecções confirmadas em 2026 se eleva para sete. Ambas as ocorrências foram identificadas na capital paulista, em uma região próxima ao município de Guarulhos.
As pacientes são uma mulher de 20 anos, mãe de um dos bebês diagnosticados com a doença na semana anterior, e uma criança de seis meses. De acordo com as autoridades sanitárias, nenhuma das duas pessoas infectadas possuía histórico de vacinação contra o vírus.
Na semana passada, a pasta já havia notificado três casos da doença na capital, todos em crianças com idades entre seis meses e um ano. A origem da infecção atual permanece sob investigação pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP), em um trabalho conjunto com o Ministério da Saúde.
Ampliação da vacinação e ações de bloqueio
Diante do cenário epidemiológico, a secretaria estadual reforçou as ações preventivas para conter o avanço do contágio nas áreas afetadas. “Estamos empenhados em interromper a circulação do vírus por meio de uma vigilância epidemiológica ativa e do bloqueio vacinal imediato no entorno dos casos suspeitos e confirmados”, informou a pasta em nota oficial.
Recomendação da dose zero para bebês
Desde a última quinta-feira (25), os órgãos de saúde recomendam a aplicação da chamada “dose zero” da vacina tríplice viral para bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias que residam em São Paulo ou em Guarulhos.
É importante destacar que a dose zero não substitui o esquema regular previsto no Calendário Nacional de Vacinação. As crianças que receberem essa unidade extra ainda necessitam do esquema padrão: a primeira dose da tríplice viral aos 12 meses e a segunda dose, preferencialmente com a vacina tetraviral, aos 15 meses de idade.
Impacto na certificação nacional de erradicação
O avanço do sarampo liga o alerta sobre o status sanitário do país. O Brasil havia recuperado, em novembro de 2024, a certificação de país livre do sarampo. O título oficial fora perdido anteriormente em 2018, após um surto que acumulou 40 mil casos e 40 mortes, motivado pela baixa cobertura vacinal na época.
Histórico e critérios de transmissão
A retomada da certificação ocorreu porque o último caso autóctone — ou seja, com transmissão local confirmada em solo nacional — tinha sido registrado no Amapá, em junho de 2022.
Casos importados isolados não retiram o título do país de forma automática. O risco real reside na transmissão sustentada em território brasileiro. Para que o Brasil perca novamente a certificação de país livre do sarampo, é necessário que a cadeia de contágio local permaneça ativa e contínua por um período superior a 12 meses.
Para evitar esse retrocesso, o governo estadual orienta que a população procure a unidade básica de saúde mais próxima para conferir a carteira de imunização. Atualmente, a cobertura vacinal contra o sarampo no estado de São Paulo está em 85,32% para a primeira dose e 72,06% para a segunda dose, índices abaixo do patamar de 95% recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).