Sarampo: novos casos reforçam alerta sobre vacinação
Casos de sarampo em São Paulo reacendem o alerta para a vacinação e reforçam a importância de manter o calendário vacinal em dia
- Publicado: 05/07/2026 13:24
- Alterado: 05/07/2026 13:24
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: UNG
Os recentes registros de um caso de sarampo em um adulto, na capital paulista, e em dois bebês, de 6 meses e 1 ano, em Guarulhos, reacenderam o debate sobre a importância da vacinação desde a infância. A imunização continua sendo uma das principais estratégias de saúde pública para controlar e até erradicar doenças infecciosas, mas a desinformação e o abandono do calendário vacinal têm favorecido o reaparecimento de enfermidades antes consideradas controladas.
De acordo com a doutora e professora dos cursos de graduação e pós-graduação em Enfermagem da Universidade Guarulhos (UNG), Jussara Carvalho dos Santos, manter altas taxas de cobertura vacinal é essencial para proteger toda a população.
“Quando uma parte elevada da população está imunizada contra uma doença, a transmissão do agente infeccioso é interrompida, protegendo inclusive as pessoas não vacinadas. Esse processo é conhecido como imunidade de rebanho”, explica.
Vacinação é essencial para evitar novos casos de sarampo
Na década de 1980, doenças como a poliomielite e o sarampo foram eliminadas em diferentes regiões do mundo graças às campanhas de vacinação em massa. No entanto, a especialista alerta que a circulação desses vírus pode voltar caso os índices de imunização diminuam.
“Eliminamos essas doenças, mas precisamos manter a população brasileira vacinada em uma taxa acima de 90% para garantir que o território permaneça livre dessas enfermidades”, destaca a professora da UNG.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente 50 imunobiológicos, entre vacinas, soros e imunoglobulinas, assegurando proteção contra diversas doenças, como poliomielite, rubéola, tétano, hepatite B, coqueluche e outras infecções preveníveis por vacinação.
Outro exemplo da eficácia da imunização ocorreu durante a pandemia de Covid-19. Após o início da campanha de vacinação, em janeiro de 2021, houve redução expressiva dos casos e das mortes causadas pelo SARS-CoV-2. Segundo dados do Observatório da Covid-19 Brasil, um ano depois do início da campanha, 84% da população brasileira já havia sido imunizada, contribuindo para evitar 74% dos casos graves e 82% dos óbitos.
Vacinar é proteger toda a população
Apesar da ampla disponibilidade de vacinas na rede pública, parte da população ainda deixa de seguir o calendário recomendado ou não completa o esquema vacinal. Segundo Jussara Carvalho dos Santos, essa decisão compromete tanto a proteção individual quanto a coletiva.
“Isso reduz a eficácia da proteção individual, pois muitas vacinas necessitam de múltiplas doses para garantir uma resposta imune robusta e duradoura”, afirma.
A especialista ressalta que a vacinação não deve ser limitada à infância. Crianças, adolescentes, adultos e idosos precisam manter as doses em dia, conforme o calendário nacional de imunização, para garantir proteção contínua ao longo da vida.
Desinformação desafia campanhas de imunização
Além da queda na adesão às vacinas, a disseminação de informações falsas também representa um dos principais obstáculos para ampliar a cobertura vacinal. Entre os equívocos mais comuns está a crença de que apenas uma dose seria suficiente para garantir proteção permanente.
“A hesitação em aderir às vacinas é resultado de fatores históricos, psicológicos e sociais, exigindo estratégias integradas de comunicação, educação e ampliação do acesso para combatê-la e superá-la”, ressalta a professora.
Para a docente da Universidade Guarulhos, manter os esquemas vacinais completos é uma responsabilidade coletiva. Ela reforça que a vacinação continua sendo a principal ferramenta para controlar doenças infecciosas e impedir que enfermidades já eliminadas voltem a representar riscos para a população.