São Vicente reforça ações e escuta no Setembro Amarelo
Setembro Amarelo: no Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, rede municipal destaca a importância do acolhimento e detalha serviços
- Publicado: 10/09/2026 10:33
- Alterado: 10/09/2026 10:33
- Autor: Daniela Ferreira
Falar sobre saúde mental, acolher e estar disponível para ouvir pode fazer a diferença na vida de quem enfrenta um momento difícil. Nesta quinta-feira (10), data em que se marca o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, o município de São Vicente reforça a importância da empatia, da escuta ativa e da solidariedade dentro das ações da campanha Setembro Amarelo.
A rede municipal de saúde alerta que o isolamento social, a desesperança, a tristeza profunda e mudanças significativas de comportamento podem indicar que uma pessoa está passando por um período de sofrimento emocional agudo. Identificar esses sinais é o primeiro e mais importante passo para oferecer acolhimento e incentivar a busca por ajuda profissional.
“O primeiro passo é reconhecer os sinais. Isso já é uma forma de prevenir e de pedir ajuda”, explica a enfermeira Michelle Maria Alberto, responsável técnica do CAPS III Mater.

Segundo a profissional, os vínculos afetivos têm papel fundamental nesse processo, pois proporcionam um ambiente de confiança. “Não é uma causa isolada. É um sofrimento muito grande, e o indivíduo acaba acreditando não ter outra saída. Os vínculos afetivos são fundamentais para que essa pessoa consiga se abrir com alguém em quem confia e, assim, possa perceber as mudanças”, completa.
Atenção aos Jovens e Fatores de Risco
A especialista ressalta que não existe um perfil único ou regra absoluta para quem vivencia uma situação de sofrimento intenso. Entre os fatores de vulnerabilidade estão os transtornos mentais (como a depressão), perdas significativas, histórico familiar e situações de crise ou grandes mudanças. Por isso, alterações persistentes no comportamento, no humor ou na rotina devem ser observadas com cuidado.
Um grupo que exige atenção redobrada, no entanto, é o dos jovens. A exposição constante e sem filtros às redes sociais pode estimular comparações irreais e criar uma percepção distorcida da própria vida.

“A vida nas redes sociais é sempre perfeita. Para quem já está com problemas emocionais, isso pode ser muito prejudicial. O jovem, por vezes, não tem maturidade para lidar com esses contrastes. O bullying, inclusive, é uma das causas de sofrimento que mais afetam essa faixa etária”, destaca Michelle.
A saída, segundo as autoridades de saúde, passa pela escuta ativa e livre de preconceitos ou julgamentos. O ato de ouvir não exige respostas prontas da outra parte, mas sim acolhimento e encaminhamento para profissionais capacitados. “Não precisa ter medo de falar. Quanto mais falamos, mais esclarecemos, e menos preconceito e tabu existirão sobre o assunto”, conclui a enfermeira.
Onde buscar ajuda em São Vicente
Os moradores de São Vicente que precisam de apoio emocional ou acompanhamento psiquiátrico contam com uma rede estruturada de saúde mental. A porta de entrada para esses cuidados são as 26 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) espalhadas pelos bairros e os hospitais da cidade.
Para o atendimento especializado, o município dispõe dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Os equipamentos recebem os pacientes de acordo com a necessidade de cada caso, seja por livre demanda (procura direta) ou mediante encaminhamento médico.
Vale lembrar que, em todo o Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso por meio do telefone 188, 24 horas por dia, ou pelo site.