Santo André é a 2ª cidade com mais roubos de carros elétricos em SP
Cidade registrou três ocorrências entre janeiro e maio, atrás apenas da capital paulista, enquanto São Bernardo do Campo aparece na sequência, com duas.
- Publicado: 25/07/2026 14:42
- Alterado: 25/07/2026 14:42
- Autor: Thiago Antunes
Santo André aparece como a segunda cidade do estado de São Paulo com mais roubos e furtos de carros elétricos e híbridos neste ano, com três ocorrências registradas entre janeiro e maio de 2026. São Bernardo do Campo vem logo depois, na terceira posição, com duas ocorrências no mesmo período. As duas cidades do Grande ABC ficam atrás apenas da capital paulista, que concentra a grande maioria dos casos do estado.
Estado tem alta de quase 130% nos casos
O levantamento é de um estudo da Ituran Brasil com dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). Segundo o estudo, o número de roubos e furtos de veículos eletrificados subiu 129% neste ano no estado, com 101 ocorrências registradas entre janeiro e maio de 2026, contra 44 no mesmo período de 2025.
Além do aumento no total de casos, a diferença mais significativa entre os dois anos está na proporção entre furtos e roubos. Em 2025, cerca de 59% dos boletins de ocorrência eram de roubos de veículos eletrificados. Já em 2026, houve queda expressiva nessa proporção: os roubos passaram a representar apenas 15% das ocorrências, enquanto os furtos saltaram para 85%.
A capital paulista concentra a maior parte dos casos do estado, com 74 ocorrências registradas entre janeiro e maio de 2026, contra 23 no mesmo período do ano anterior.
Alto valor das baterias pode atrair criminosos
Um dos fatores que podem explicar o aumento é o alto valor dos componentes desses veículos, especialmente das baterias. Dependendo do modelo, a bateria de um carro elétrico pode custar cerca de 50% do valor total do veículo. Por causa desse valor elevado, componentes como as células das baterias passam a ser alvo de desmanches clandestinos, que desmontam os veículos e vendem as peças no mercado ilegal.
Para Fernando Correia, gerente de operações da Ituran Brasil, o crescimento da frota eletrificada explica parte do fenômeno: “Com mais desses modelos circulando, é natural que eles também passem a entrar no radar das quadrilhas especializadas. Além disso, são veículos com alto valor agregado e componentes eletrônicos sofisticados, o que pode despertar interesse do mercado ilegal de peças”.
No início de julho, a Polícia Militar de São Paulo desmantelou um desmanche especializado em veículos elétricos na Vila Alpina, na Zona Leste da capital. No local, os policiais encontraram diversos componentes, ferramentas para desmontagem dos carros e um modelo da BYD que havia sido roubado poucas horas antes da operação.
Criminosos usam equipamentos para clonar chaves
Segundo Correia, os criminosos vêm se especializando cada vez mais nesse tipo de crime: “Ainda não é possível afirmar que exista um único fator por trás desse crescimento, mas percebemos que os criminosos também vêm aperfeiçoando suas técnicas, utilizando equipamentos para acessar os sistemas eletrônicos dos veículos e clonar chaves, tornando os furtos mais rápidos e discretos. Esse cenário reforça a importância de tecnologias de monitoramento e rastreamento, principalmente em uma frota que cresce de forma acelerada“.
Com o crescimento da frota eletrificada também na região do ABC, cidades como Santo André e São Bernardo do Campo passam a exigir atenção redobrada de proprietários desses modelos, à medida que o mercado ilegal de peças acompanha a expansão desse tipo de veículo nas ruas.