Roubo de alianças cai 12,5% em São Paulo
Queda nos registros reflete o foco da polícia na desarticulação das quadrilhas de receptadores que alimentam o comércio ilegal na cidade.
- Publicado: 06/08/2026 16:56
- Alterado: 06/08/2026 16:56
- Autor: Thiago Antunes
O roubo de alianças registrou uma queda de 12,5% na cidade de São Paulo entre janeiro e maio deste ano. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) contabilizou 2.192 ocorrências no período, frente a 2.505 casos nos cinco primeiros meses do ano anterior. A redução ocorre em meio à ofensiva policial contra a rede de receptação de metais preciosos que atua no estado.
A estratégia das autoridades concentra esforços na identificação de quadrilhas que compram, derretem e revendem o ouro roubado. O foco na cadeia econômica diminui a lucratividade da atividade criminosa e ajuda a sufocar o mercado clandestino. O policiamento ostensivo também sofreu intensificação nas áreas com maior histórico de abordagens a pedestres.
“O combate a este crime passa pelo enfrentamento da receptação. Atacar a receptação é reduzir a motivação econômica e ampliar a proteção da população”, afirmou o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves.
Operações contra o tráfico de joias reduzem roubo de alianças
A asfixia financeira dos criminosos impacta diretamente a incidência do roubo de alianças nas ruas. Em maio, agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) prenderam um dos principais negociadores de peças roubadas da capital paulista durante a Operação Ouro Reverso. O investigado integrava um grupo focado em esquentar material sem origem lícita.
A ofensiva apreendeu cerca de R$ 2,7 milhões em ouro e joias, juntamente com R$ 157 mil em dinheiro vivo. A ação tática também provocou a cassação do CNPJ de três estabelecimentos comerciais utilizados como fachada para o derretimento do ouro subtraído das vítimas.
O aprofundamento das apurações revelou a ligação direta do negociador com uma mulher detida na Zona Sul, apontada como a responsável por financiar os assaltantes. A Justiça condenou o suspeito e três comerciantes a sete anos de prisão em regime fechado pelos crimes de organização criminosa e receptação qualificada.
“Conseguimos chegar aos intermediários e aos comerciantes responsáveis por receber, transformar e reinserir essas joias no mercado. A condenação reforça a consistência do trabalho investigativo”, pontuou o delegado Fernando David, líder das investigações sobre o esquema.
Prisões em flagrante e mapeamento tático
Outras unidades da Polícia Civil continuam mobilizadas para frear o roubo de alianças em diferentes eixos da capital. O 16º Distrito Policial (Vila Clementino) deteve recentemente um suspeito de promover assaltos em série na Zona Oeste. O 92º Distrito Policial (Parque Santo Antônio) atuou em outra frente e prendeu quatro indivíduos em flagrante, esclarecendo cinco episódios de violência.
A Polícia Militar redirecionou suas viaturas com base em estatísticas criminais para cobrir as regiões de maior risco. O novo mapeamento estratégico eleva a capacidade de pronta resposta dos agentes caso novos ataques ocorram nos centros urbanos.
As autoridades recomendam que as vítimas procurem imediatamente uma delegacia física ou utilizem a Delegacia Eletrônica após qualquer incidente. O boletim de ocorrência fornece os dados exatos para que os investigadores estrangulem a atuação das quadrilhas e garantam a manutenção da queda no roubo de alianças.