Redes sociais ampliam disputas por marcas no comércio digital
A presença online exige proteção jurídica da marca para evitar conflitos, prejuízos e perda de identidade no mercado
- Publicado: 15/07/2026 10:25
- Alterado: 15/07/2026 10:25
- Autor: Luisa Caldas
- Fonte: ABCdoABC
O crescimento acelerado das redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico transformou profundamente o ambiente empresarial. Hoje, uma empresa pode alcançar clientes em todo o país sem possuir uma única loja física. Essa facilidade trouxe inúmeras oportunidades, mas também aumentou significativamente os conflitos envolvendo marcas.
Antigamente, muitos negócios atuavam apenas em âmbito regional. Era relativamente comum que empresas de cidades diferentes utilizassem nomes semelhantes sem gerar grandes problemas. Com a digitalização do mercado, essa realidade mudou completamente.
Atualmente, qualquer empresa que possua presença online pode competir nacionalmente. Consequentemente, aumentam as chances de colisão entre marcas semelhantes atuando em segmentos próximos.
Além disso, a identidade empresarial passou a ocupar diversos espaços simultaneamente. Não basta ter uma marca registrada. É preciso considerar também a disponibilidade de domínios na internet, perfis em redes sociais, presença em marketplaces e posicionamento nos mecanismos de busca.
Proteger a identidade evita prejuízos futuros

Muitas empresas investem grandes quantias em marketing digital para as redes sociais antes mesmo de verificar se possuem direito exclusivo sobre a marca utilizada. Quando surge uma disputa, os prejuízos podem ser expressivos.
Uma alteração de marca envolve muito mais do que trocar um nome. É necessário modificar sites, redes sociais, embalagens, contratos, materiais institucionais e campanhas publicitárias. Em alguns casos, a empresa perde parte significativa do reconhecimento construído junto ao público.
O ambiente digital tornou a marca ainda mais importante. Em um mercado onde consumidores tomam decisões em poucos segundos, a identidade visual e o reconhecimento da marca passaram a desempenhar papel fundamental na geração de confiança.
Por esse motivo, a proteção marcária deve ser tratada como uma das primeiras etapas da estruturação empresarial e não como uma providência secundária.
O registro deve acompanhar o investimento em marketing
Se sua empresa já investe em redes sociais, tráfego pago, produção de conteúdo e posicionamento digital, é fundamental verificar se a marca está devidamente protegida perante o INPI. Quanto maior o investimento em marketing, maior deve ser a preocupação em garantir a exclusividade jurídica da identidade que está sendo construída.
Luisa Caldas

Especialista em propriedade intelectual e agente de transformação na valorização do conhecimento. Atualmente, é colunista da editoria Valor Intelectual no portal ABCdoABC. Atua como empresária e palestrante, com 26 anos de experiência na área. É pós-graduada em Propriedade Intelectual pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Responsável por mais de 10 mil marcas registradas e mais de 2 mil patentes no Brasil e no exterior. Sócia da Uniellas Marcas e Patentes e presidente do Instituto de Tecnologia e Inovação do Grande ABC.