Redação do Enem exige estratégia e atenção aos detalhes
Professor dá dicas para estruturar a redação do Enem, usar repertório e construir uma proposta de intervenção consistente para o exame nacional em 2026
- Publicado: 04/11/2026 13:01
- Alterado: 04/11/2026 13:01
- Autor: Carlos Enriki
Com a proximidade do Enem 2026, estudantes intensificam a preparação para as provas dos dias 8 e 15 de novembro. Entre os principais desafios está a redação do Enem, que exige capacidade de argumentação, domínio da escrita e elaboração de uma proposta de intervenção para o problema apresentado.
O texto dissertativo-argumentativo deve ter até 30 linhas e abordar um tema de relevância social, cultural, científica ou política. A avaliação considera cinco competências, com pontuação máxima de mil pontos. Na edição anterior, apenas dez dos 3,37 milhões de participantes alcançaram a nota máxima.
Segundo Thiago Silvério Barbosa, professor de Língua Portuguesa e Redação da Escola Internacional de Alphaville (EIA), a preparação na reta final deve priorizar o planejamento, a revisão de erros recorrentes e a compreensão da proposta apresentada.
“Na reta final, não é hora de tentar transformar completamente a maneira como o aluno escreve. O mais importante é identificar os pontos que ainda podem comprometer a redação e criar um procedimento seguro para o dia da prova: compreender exatamente o tema, definir uma tese, selecionar argumentos que realmente sustentem esse ponto de vista e revisar o texto antes de entregá-lo”, explica.
Redação do Enem exige atenção ao tema
Um dos erros que podem comprometer o desempenho é começar a escrever sem compreender exatamente o recorte proposto. Antes de elaborar os argumentos, o estudante precisa identificar o problema central e analisar os textos motivadores.
“Uma palavra ou expressão do tema pode mudar completamente o direcionamento da redação. Por isso, o estudante precisa ler a proposta com calma, observar os textos motivadores e se perguntar: qual é exatamente o problema apresentado? Qual é o recorte que preciso desenvolver?”, orienta Thiago.
O professor também recomenda evitar a tentativa de adaptar textos decorados ao tema da prova. Os materiais de apoio devem ajudar na compreensão da discussão, mas a argumentação precisa ser construída pelo próprio candidato.
Definir a tese ajuda a organizar os argumentos
Depois de compreender a proposta, o estudante deve estabelecer o ponto de vista que pretende defender. A tese funciona como orientação para o desenvolvimento do texto e ajuda a manter os parágrafos conectados.
“A tese não precisa ser uma frase sofisticada. Ela precisa ser clara e permitir que o leitor entenda qual posição será defendida ao longo da redação. Se o aluno não consegue explicar para si mesmo qual é a sua tese, provavelmente ainda não está pronto para começar a argumentação”, afirma o professor.
A recomendação é selecionar dois argumentos capazes de sustentar essa posição. Em vez de acumular referências, o candidato deve priorizar ideias que consiga explicar e relacionar ao problema apresentado.
Repertório sociocultural precisa fazer sentido
Referências a filósofos, acontecimentos históricos, obras literárias e pesquisas podem fortalecer a redação, desde que estejam diretamente relacionadas ao argumento.
“Um repertório sociocultural só faz sentido quando estabelece uma relação clara com aquilo que o estudante está defendendo. Citar um filósofo famoso apenas para demonstrar conhecimento não fortalece necessariamente a argumentação. O repertório precisa ser explicado e conectado ao argumento”, destaca Thiago.
Na semana da prova, a orientação é revisar referências já conhecidas, em vez de tentar memorizar uma grande quantidade de citações.

Outro cuidado está no desenvolvimento dos parágrafos. Apresentar uma opinião não é suficiente: o estudante precisa explicar por que o argumento é válido, quais são suas causas e consequências e como se relaciona com o tema.
Conectivos como “portanto”, “além disso”, “por outro lado” e “consequentemente” ajudam a organizar as ideias, desde que sejam utilizados de maneira coerente e sem repetições automáticas.
Proposta de intervenção deve ser concreta
Na conclusão, o candidato precisa apresentar uma proposta de intervenção relacionada ao problema discutido e que respeite os direitos humanos.
Para evitar respostas genéricas, Thiago recomenda verificar se a proposta deixa claro quem deve agir, o que precisa ser feito, como a ação será realizada e qual é sua finalidade.
“Dizer apenas que ‘o governo deve criar políticas públicas’ é muito genérico. O estudante precisa mostrar que compreendeu o problema e consegue propor uma ação relacionada a ele. Quanto mais claramente os elementos da intervenção estiverem apresentados, mais consistente será a conclusão”, afirma.
Revisão final pode evitar erros na redação
A última etapa antes da entrega deve ser dedicada à leitura crítica do texto. O estudante precisa verificar se respondeu ao tema, se desenvolveu a tese e se os argumentos estão relacionados ao ponto de vista apresentado.
Também é necessário conferir concordância, regência, pontuação, repetição de palavras e possíveis erros de grafia.
“Quando o aluno termina de escrever, ele tende a enxergar aquilo que pretendia dizer, e não necessariamente aquilo que está efetivamente escrito. Por isso, a revisão precisa ser uma leitura crítica do texto”, explica o professor.
Checklist para a redação do Enem
Na reta final de preparação, o professor recomenda que os candidatos utilizem uma lista de verificação durante os treinos:
- Tema: respondi exatamente ao recorte proposto?
- Tese: meu ponto de vista está claro?
- Argumentação: meus argumentos sustentam a tese?
- Repertório: as referências estão relacionadas ao que estou defendendo?
- Coesão: as ideias estão conectadas de maneira lógica?
- Intervenção: minha proposta enfrenta o problema e apresenta elementos concretos?
- Linguagem: revisei os principais erros de gramática e pontuação?
- Revisão: li o texto integralmente antes de passá-lo a limpo?
“Uma redação de alto nível não depende de uma fórmula mágica. Ela é resultado da combinação entre leitura atenta da proposta, planejamento, argumentação consistente, domínio da escrita e revisão”, conclui Thiago.
Enem 2026 terá mais de 5 milhões de inscritos
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será aplicado em dois domingos consecutivos, nos dias 8 e 15 de novembro. Nesta edição, foram registrados 5.055.818 inscritos, número 5,08% superior ao de 2025 e o maior desde 2020, segundo os dados apresentados no material de divulgação.
No primeiro dia, os participantes farão as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias e a redação. No segundo domingo, serão aplicadas as avaliações de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias.
O exame permite o acesso a programas educacionais como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Os resultados também são utilizados por universidades públicas e privadas como critério de seleção.