Publicidade de bets enfrenta restrições em vários países da Europa

Brasil e Europa endurecem regras para publicidade de bets em transmissões esportivas. Entenda as mudanças e os impactos no mercado

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A discussão sobre a publicidade de bets durante transmissões esportivas ganhou força no Brasil e em diversos países da Europa após o aumento da presença das casas de apostas em eventos como a Copa do Mundo de 2026. O debate, impulsionado por críticas de espectadores e especialistas, levou governos a endurecerem as regras para limitar esse tipo de propaganda e proteger consumidores, principalmente jovens.

As novas medidas mostram que o crescimento das bets desafia autoridades reguladoras em diferentes mercados, que buscam equilibrar a expansão do setor com a necessidade de evitar estímulos ao jogo excessivo.

Brasil amplia restrições à publicidade de bets

Após a repercussão da quantidade de anúncios exibidos durante as transmissões da Cazé TV, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) abriu investigação sobre a publicidade das bets. Em seguida, o Ministério da Fazenda anunciou novas regras para o setor.

Entre as mudanças estão a obrigatoriedade de mensagens de advertência, como “Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar dependência”, além da proibição de campanhas que apresentem as bets como forma de investimento, dinheiro fácil ou oportunidade urgente de lucro.

As normas também restringem o uso de comentaristas e apresentadores para incentivar apostas durante transmissões esportivas. As novas regras entram em vigor em 17 de julho.

Como outros países regulam as bets

A preocupação com a publicidade das bets não é exclusiva do Brasil. Países europeus já adotam diferentes níveis de restrição para reduzir a exposição do público às plataformas de apostas.

França propõe endurecimento das regras

Na França, parlamentares apresentaram um projeto para ampliar as restrições às bets durante a Copa do Mundo. A proposta prevê a proibição de anúncios durante transmissões esportivas, limitação de horários e veto à participação de influenciadores e personalidades em campanhas publicitárias.

Atualmente, o país já limita o tempo diário de propagandas e exige mensagens de prevenção ao vício em grandes eventos esportivos.

Alemanha enfrenta novos desafios

Na Alemanha, a legislação determina que a publicidade das bets não pode ser excessiva nem sugerir ganhos fáceis ou controle sobre os resultados das partidas.

Além disso, anúncios são proibidos entre 6h e 21h em rádio, televisão e internet. Entretanto, a expansão das transmissões digitais trouxe um novo desafio: uma casa de apostas adquiriu os direitos para transmitir todos os jogos da Copa do Mundo em seu aplicativo para usuários cadastrados.

Países adotam proibição quase total

Alguns governos optaram por medidas ainda mais rígidas. Bélgica, Itália, Espanha e Holanda praticamente proibiram a publicidade das bets em transmissões esportivas.

As restrições também alcançam outdoors, campanhas com influenciadores digitais e diversos tipos de patrocínio esportivo. O objetivo é reduzir a exposição constante da população às plataformas de apostas. Pesquisadores afirmam que a integração entre entretenimento e publicidade tornou a presença das bets mais difícil de ser identificada pelo público.

Segundo especialistas, quando comentaristas apresentam probabilidades de apostas (odds) durante as partidas, a prática tende a normalizar o jogo e reduzir a percepção dos riscos associados ao vício.

Outro desafio é o crescimento das transmissões em plataformas digitais, que criam novos formatos de publicidade e dificultam a fiscalização por parte dos órgãos reguladores.

Mercado das bets continua em expansão

Apesar do aumento das restrições, o mercado de bets segue em crescimento no Brasil e no exterior. A modalidade se consolidou como uma das principais patrocinadoras do esporte, investindo em clubes, campeonatos, transmissões e influenciadores.

Ao mesmo tempo, governos buscam criar regras que permitam o funcionamento do setor sem estimular práticas consideradas prejudiciais à saúde financeira e mental dos consumidores.

  • Publicado: 10/07/2026 14:30
  • Alterado: 10/07/2026 14:30
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: DW