Prorrogação da votação não chega a seções eleitorais

Decisão para prorrogar a votação não chegou a tempo a seções eleitorais do Rio, e eleitores chegaram após o encerramento e não conseguiram votar

Prorrogação da votação não chega a seções eleitorais

Crédito: (Joédson Alves/Agência Brasil)

A decisão que autorizou a prorrogação do horário de votação no segundo turno das Eleições 2026 não chegou a tempo a algumas seções eleitorais do Rio de Janeiro neste domingo (25). Em diferentes locais, as urnas já haviam sido encerradas e os boletins de urna impressos quando os responsáveis receberam informações sobre a mudança.

Segundo os relatos, a situação provocou dúvidas entre fiscais e mesários e frustrou eleitores que chegaram às escolas perto das 17h, horário previsto inicialmente para o fim da votação. A apuração chegou a ser iniciada, mas foi interrompida por determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, conforme as informações relatadas.

“Como é algo inédito, não sabemos o que fazer. Não fomos oficializados. Se já tem urna encerrada, não tem como reabrir. Então, essas pessoas vão ficar sem votar”, afirmou um fiscal.

Eleitores relatam que não conseguiram votar

Em uma escola eleitoral, Lucas Soares, de 20 anos, contou que saiu de Triagem de moto e enfrentou trânsito e chuva para chegar ao local. Ele chegou às 16h59, mas não conseguiu entrar.

“Quando cheguei, não me deixaram entrar. Depois, falaram que a decisão de prorrogar o horário saiu às 17h14. Não consegui votar e não sei mais o que fazer”, relatou.

Urna Eletrônica - Eleições 2026
(Divulgação/TSE)

Ana Souza, de 50 anos, moradora da Glória, também afirmou que não conseguiu registrar o voto. Ela estava a caminho do colégio, vindo de Magé, quando soube da prorrogação, mas as urnas já haviam sido encerradas.

“Infelizmente, está uma bagunça, e não é culpa nossa”, disse.

Mesários e fiscais enfrentam dúvidas após encerramento

Em Duque de Caxias, na Escola Municipal Rotary, uma mesária relatou que os procedimentos de encerramento começaram antes da chegada da decisão.

“Faltando um minuto [para as 17h], eles já estavam fechando tudo. Bateu 17h em ponto, eles fecharam o portão. O cara veio nas salas avisando que é para fechar a urna e fazer os procedimentos. Mandou a gente fechar, falando que o TSE tinha mandado fechar”, afirmou.

Relatos semelhantes foram registrados na Barra da Tijuca, em pelo menos dois locais de votação: o Colégio pH e a Escola Municipal Almeida Garrett. Segundo pessoas ouvidas pela reportagem, a notificação sobre a prorrogação não chegou aos responsáveis pelas zonas eleitorais antes do encerramento.

No Colégio pH, um fiscal afirmou que a maioria dos eleitores compareceu e que a abstenção havia diminuído em relação ao primeiro turno. Segundo ele, cerca de 400 pessoas estavam distribuídas pelas seis seções do local.

No CIEP Thomas Jefferson, em Realengo, funcionários também relataram que só foram informados sobre a extensão do horário depois de encerrar a votação e imprimir os boletins.

“Quando avisaram a gente, já tínhamos encerrado a votação e imprimido os boletins. Agora, não sabemos o que fazer”, disse uma funcionária.

Orientação era registrar dados de quem chegou após as 17h

Diante da indefinição, fiscais receberam orientação para anotar o nome, o número do título eleitoral e o horário de chegada de pessoas que procurassem votar depois das 17h. As informações deveriam ser incluídas na ata da seção.

Segundo o relato repassado pelo presidente da zona eleitoral, o registro serviria como anotação de comparecimento, mas não significava que o voto seria computado.

Os episódios evidenciaram dificuldades de comunicação entre a decisão judicial e os locais de votação. Nos colégios mencionados, eleitores e trabalhadores da eleição relataram incerteza sobre como proceder diante de urnas que já haviam passado pelos procedimentos de encerramento.

Carlos Enriki

  • Publicado: 25/10/2026 19:20
  • Alterado: 25/10/2026 19:20
  • Autor: Carlos Enriki