Produtor brasileiro acompanha gravações de Dexter em NY
Produtor brasileiro Jonathan Neves acompanha bastidores de Dexter: Resurrection em Nova York e já prepara projetos audiovisuais com identidade brasileira
- Publicado: 31/10/2026 17:37
- Alterado: 31/10/2026 17:37
- Autor: Carlos Enriki
O produtor brasileiro Jonathan Neves, conhecido como JJ, acompanhou em agosto as gravações de Dexter: Resurrection, em Nova York. O convite partiu de Marcos Siega, diretor e produtor executivo da série. A experiência marcou mais uma etapa da trajetória internacional do profissional, que acumula participações em festivais de cinema e projetos que conectam automobilismo e audiovisual.
Durante a visita, Jonathan observou o funcionamento de diferentes setores da produção, desde a preparação das cenas até a integração entre direção, câmeras e equipes técnicas. A passagem pelos bastidores permitiu conhecer de perto a estrutura logística de uma produção internacional de grande porte.
À frente do Desafio Jota Racing, projeto que reúne automobilismo, música, cinema e tecnologia, JJ vem ampliando sua atuação na produção audiovisual. A iniciativa transforma experiências nas pistas em conteúdos que combinam diferentes linguagens artísticas e recursos técnicos.
De Cannes aos bastidores de Dexter
A aproximação com profissionais da indústria cinematográfica ganhou força em maio, quando Jonathan participou de atividades relacionadas à celebração dos 25 anos da franquia Velozes e Furiosos, durante o Festival de Cannes. Na ocasião, passou pelo tapete vermelho e circulou em um ambiente que reuniu nomes ligados à saga, como Vin Diesel, Jordana Brewster e Meadow Walker.

O produtor também participou de encontros com profissionais do setor, entre eles o cineasta brasileiro David Schurmann. As conexões construídas durante o evento contribuíram para ampliar seu contato com diretores e produtores internacionais.
A relação com Marcos Siega surgiu a partir do interesse do diretor por trabalhos desenvolvidos por Jonathan. As conversas sobre audiovisual evoluíram até o convite para acompanhar as gravações de Dexter: Resurrection.
Protagonizada por Michael C. Hall, a franquia Dexter estreou em 2006 e se tornou uma das produções mais conhecidas da televisão americana. Em Nova York, o interesse de JJ estava também nos processos que acontecem fora do enquadramento das câmeras.
Estrutura de produção chamou atenção
Um dos aspectos que mais despertaram a curiosidade de Jonathan foi a operação necessária para transformar espaços reais em cenários de gravação. Segundo o produtor, um edifício residencial em Manhattan teve diferentes áreas adaptadas para atender às necessidades da produção.
Os apartamentos eram alugados, esvaziados e preparados para funcionar como cenários e áreas técnicas. Depois das gravações, os espaços eram reorganizados e devolvidos aos moradores.

“Eu gosto de observar a operação e a logística. Esses detalhes dos bastidores me atraem. Quando você vê toda essa estrutura funcionando ao mesmo tempo, entende que por trás daquilo que chega pronto à tela existe uma enorme operação de planejamento, técnica e execução”, conta Jonathan.
A experiência também mudou sua maneira de observar o resultado apresentado ao público. Para ele, cada cena envolve uma série de decisões e profissionais que precisam trabalhar de forma coordenada.
“Quando passei a produzir, comecei a olhar para uma obra de outra maneira. Não apenas para aquilo que aparece na tela, mas para quem está atrás das câmeras e para as decisões que tornam aquela imagem possível”, afirma.
Produções brasileiras alcançam festivais internacionais
Os trabalhos de Jonathan já foram reconhecidos em mais de 40 festivais internacionais. Entre os resultados citados pelo produtor estão uma menção honrosa na categoria Best Music Film, no East Village New York Film Festival, e um prêmio na área musical no Global Music Awards, em Los Angeles.
Um dos projetos do Desafio Jota Racing reuniu música original, automobilismo, iluminação, efeitos especiais e mais de 500 drones. Na produção, Jonathan pilotou um carro de drift em alta velocidade enquanto diferentes equipes técnicas e criativas sincronizavam os elementos do espetáculo.
Em novembro, outro trabalho do projeto foi selecionado para o International Motor Film Awards, realizado no Petersen Automotive Museum, em Los Angeles. O evento reúne produções relacionadas ao cinema e ao automobilismo.
A programação também destaca veículos que marcaram a história das telas, como o DeLorean de De Volta para o Futuro, o Batmóvel de 1989, o Ecto-1 de Os Caça-Fantasmas e automóveis utilizados nas gravações da franquia Velozes e Furiosos.
Próximos projetos devem ser desenvolvidos no Brasil
Depois da experiência nos Estados Unidos, Jonathan pretende aplicar os aprendizados em novas produções realizadas no mercado brasileiro. O objetivo, segundo ele, não é reproduzir o modelo de Hollywood, mas incorporar referências de planejamento, gestão e execução aos projetos nacionais.
“Eu voltei querendo produzir mais no Brasil. Não para copiar Dexter ou reproduzir um modelo americano, mas para aplicar aprendizados de processo, planejamento e execução em projetos com identidade brasileira”, destaca.

O movimento ocorre em um período de crescimento da produção audiovisual nacional. Segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine), o Brasil registrou 3.979 Certificados de Produto Brasileiro em 2025, recorde da série histórica e terceiro ano consecutivo de crescimento.
A dimensão econômica do setor também aparece em estudo da Oxford Economics para a Motion Picture Association. O levantamento estimou que a indústria audiovisual contribuiu com R$ 70,2 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2024, o equivalente a 0,7% da economia nacional. O estudo também apontou cerca de 609 mil empregos sustentados pela atividade, considerando impactos diretos, indiretos e induzidos.
Ao relacionar sua experiência nas pistas com o trabalho nos sets, Jonathan resume o aprendizado em uma comparação entre os dois universos: “Nas pistas, cada segundo conta. Em um set, cada decisão também. E já acelero para o próximo take, que será brasileiro”, afirma.
Após participar de festivais internacionais e acompanhar os bastidores de uma produção televisiva nos Estados Unidos, o produtor prepara uma nova etapa de sua trajetória, agora com a intenção de desenvolver projetos audiovisuais com identidade brasileira.