Tomate dispara 37,76% e pressiona preços dos alimentos
Salto do tomate e da batata pressiona o orçamento das famílias. Clima adverso e estoques curtos explicam a pressão inflacionária do mês.
- Publicado: 21/10/2026 07:35
- Alterado: 21/10/2026 07:35
- Autor: Thiago Antunes
Os preços dos alimentos voltaram a pressionar o orçamento das famílias brasileiras em setembro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,96% nos produtos consumidos em casa, impulsionada diretamente pelo encarecimento de hortaliças e grãos.
O clima teve forte influência nas oscilações recentes nas gôndolas. O frio intenso na reta final do inverno atrasou a maturação do tomate. Chuvas acima da média histórica prejudicaram fortemente o ciclo de colheita da batata e da cebola no campo.
Preços dos alimentos no IPCA
- Aumento de 37,76% no tomate lidera a pressão inflacionária do mês sobre a cesta básica.
- Alta de 24,07% na batata inglesa reflete os problemas climáticos enfrentados pelos produtores nas áreas de colheita.
- Crescimento de 10,14% na cebola acompanha a dificuldade logística e de safra enfrentada no segmento de raízes.
- Avanço de 4,56% no arroz ocorre pela redução da área plantada e pela necessidade das indústrias de reporem estoques.
- Queda de 1,96% no frango inteiro coloca a ave como alternativa financeira imediata contra as proteínas mais caras.
A oferta reduzida de animais para abate encareceu a carne bovina frente a uma demanda de mercado firme. “O aumento nas chuvas e a consolidação do El Niño a partir de novembro pode antecipar perdas”, alertou o economista e especialista em gestão de supermercados Leandro Rosadas.
A expectativa imediata para outubro indica queda nas cotações de raízes como batata e cenoura. Tomate e carne devem manter estabilidade. Supermercadistas calibram suas operações de venda para evitar o repasse integral da oscilação nos preços dos alimentos ao consumidor final.
Estratégias do varejo contra a volatilidade
Recalcular o volume de equilíbrio de cada item ajuda o setor a distribuir as margens conforme a elasticidade do produto. Redirecionar o mix de ofertas das lojas para categorias mais baratas, como o frango, suaviza o choque financeiro no bolso do cliente e mantém o giro do caixa.
Antecipar compras exige cuidado extremo com o custo de carregamento físico do estoque. “Em um ambiente de crédito caro, disciplina de estoque e de margem protege o resultado melhor do que qualquer reajuste isolado”, finalizou Leandro Rosadas. O controle rigoroso de perdas nos perecíveis segue como a barreira gerencial mais segura contra a instabilidade nos preços dos alimentos.