Praia de Sabino volta a ficar própria para banho no Tietê
Boias inteligentes implantadas pelo governo estadual diminuem proliferação de nata verde e garantem retorno seguro de banhistas ao local.
- Publicado: 23/09/2026 15:51
- Alterado: 23/09/2026 15:51
- Autor: Thiago Antunes
Após 245 dias de restrição contínua, a Praia de Sabino, localizada no noroeste de São Paulo, voltou a ser considerada própria para banho. O resultado positivo vem dois meses após a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) instalar 14 boias inteligentes para conter a proliferação de algas no Rio Tietê.
Os equipamentos emitiram ondas de ultrassom e provocaram uma queda de 91,5% na concentração de microcistina na água. A toxina forma a conhecida nata verde e impede o uso recreativo do rio.
A liberação da Praia de Sabino aconteceu porque duas análises consecutivas indicaram volumes abaixo do limite seguro estabelecido pelas normas sanitárias. O local sofreu bloqueios ao longo de todo o ano de 2026, motivados tanto pelas algas quanto por identificações pontuais de coliformes fecais.
Como atua o ultrassom na Praia de Sabino

O sistema opera desde julho no Córrego do Esgotão e atinge as algas que precisam subir à superfície para realizar fotossíntese. O impacto sonoro afunda os microrganismos, bloqueia o acesso à luz e impede a reprodução sem o uso de aditivos químicos.
A estrutura demandou um investimento de cerca de R$ 9 milhões, cobrindo 960 mil metros quadrados de espelho d’água. Quatro das boias instaladas também funcionam como estações meteorológicas, medindo temperatura, oxigênio dissolvido e pH 24 horas por dia.
“O resultado em Sabino mostra como a tecnologia, incorporada às políticas públicas, pode acelerar a recuperação do rio e devolver esses espaços às pessoas”, ressaltou a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.
Satélites monitoram extensão do Tietê
Para reforçar o trabalho que viabilizou a reabertura da Praia de Sabino, o governo paulista adotou o uso de imagens de satélite atualizadas semanalmente. O sistema de inteligência artificial mapeia mil quilômetros do Rio Tietê e emite alertas para as equipes de campo sobre novas concentrações de matéria orgânica.
As ações integram o programa estadual Integra Tietê, que apontou recentemente uma redução de 29,4% na carga orgânica transportada na saída da Região Metropolitana de São Paulo entre 2024 e 2026.
O projeto-piloto das boias sonoras passará por avaliações rigorosas durante os períodos de chuvas e estiagens ao longo de doze meses. Confirmada a eficácia contínua do sistema, a tecnologia será expandida para outros municípios afetados, enquanto os visitantes já retomam as atividades na Praia de Sabino.