PMs são afastados após matar jovem com 27 tiros em SP
Ação policial no bairro de Moema resultou na morte de Gustavo Munis de Santana. Agentes afirmam ter confundido um celular com arma.
- Publicado: 12/10/2026 10:49
- Alterado: 12/10/2026 10:49
- Autor: Thiago Antunes
A PM de São Paulo afastou de suas atividades operacionais quatro policiais militares envolvidos na morte de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos. O jovem foi morto com 27 tiros na Zona Sul de São Paulo, no bairro de Moema, no último domingo (11). Os agentes alegam ter confundido o aparelho celular da vítima com uma arma de fogo.
Abordagem da PM e quantidade de disparos
O Boletim de Ocorrência aponta que os policiais efetuaram 45 disparos contra o rapaz durante a ação. As equipes foram acionadas originalmente para atender a uma ocorrência de tentativa de suicídio. A chamada foi registrada às 2h35 da madrugada.
A denúncia indicava que o jovem estava transtornado e ameaçava tirar a própria vida, sem qualquer indício inicial de que portasse armamento. Familiares relataram que a vítima utilizava antidepressivos desde o ano passado. O registro policial menciona que ele morava com a mãe e as irmãs. Oito policiais de três viaturas diferentes participaram do cerco.
Imagens das câmeras corporais da PM
Os policiais localizaram o jovem sobre uma passarela na Avenida Moreira Guimarães. A equipe relatou que ele corria pela via até se abrigar ao lado de um imóvel na Alameda dos Guaramomis. Os agentes disseram que a vítima saiu de uma área escura segurando um objeto, momento em que abriram fogo.
Um único soldado disparou 14 vezes contra o jovem. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) recolheu os equipamentos de gravação acoplados aos uniformes para analisar a dinâmica exata do confronto.
“O indivíduo surge vindo de uma área escura, junto à fachada do imóvel, e estende os braços apontando algo na direção da rua, onde estavam os policiais”, descreve o documento oficial sobre as imagens.
Investigação e perícia
A vítima não possuía antecedentes criminais. O caso foi tipificado pela Polícia Civil como resistência e homicídio decorrente de intervenção policial. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) declarou que ambos os órgãos investigam as circunstâncias da ocorrência.
“A SSP não tolera desvios de conduta dos seus agentes e constatadas irregularidades, os profissionais serão punidos com rigor”, informou a pasta estadual por meio de nota oficial.
As armas utilizadas pelos oficiais e o celular do rapaz foram apreendidos para perícia técnica. Paralelo às apurações civis, a PM instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para avaliar a conduta da tropa durante o chamado.