Petrobras sobe querosene de aviação em 7,2% no mês
A Petrobras aplicou novo reajuste no querosene de aviação às distribuidoras, elevando os custos do combustível aéreo em novembro
- Publicado: 01/11/2026 13:48
- Alterado: 01/11/2026 13:48
- Autor: Gabriel de Jesus
A Petrobras implementou neste domingo (1º) uma alta média de 7,2% no preço de comercialização do querosene de aviação (QAV) fornecido às distribuidoras que operam no território nacional. A variação estabelecida representa um incremento direto de R$ 0,45 por litro do derivado frente aos valores faturados no mês anterior. A correção entra em vigor de maneira imediata em todas as bases de suprimento da companhia, ocorrendo de forma consecutiva à alta de 11,76% homologada pela petroleira durante o mês de outubro.
De acordo com o comunicado oficial emitido pela Petrobras, a revisão contratual reflete a valorização das cotações internacionais do insumo e o aperto na oferta de derivados. Esse cenário global decorre da intensificação de conflitos militares no Oriente Médio e da limitação na capacidade instalada de refino na Eurásia, em meio às hostilidades bélicas entre forças russas e ucranianas que afetam plantas industriais estratégicas.
Regra contratual e dinâmica de paridade internacional
A diretoria da Petrobras sustenta que os parâmetros de precificação pactuados com o setor de aviação civil possuem amortecedores contratuais para reduzir impactos abruptos. A metodologia mensal adotada protege as companhias de aviação de oscilações financeiras extremas:
“A fórmula de preços prevista em contrato funciona como um amortecedor das oscilações de curto prazo, fazendo com que os reajustes no Brasil sejam mais moderados do que os observados no exterior, onde as variações chegam a ser registradas diariamente.”
Mesmo com os aumentos sucessivos no mercado doméstico, a direção da Petrobras argumenta que o índice acumulado do querosene de aviação no país desde o acirramento das tensões internacionais permanece inferior às médias dos polos de refino do Golfo do México e da Europa Ocidental, preservando a atratividade operacional dos aeroportos brasileiros para rotas comerciais.
Impacto operacional nas companhias aéreas e inflação
A elevação do combustível intensifica a pressão sobre as contas do setor de aviação comercial, que enfrenta ciclos de aumentos generalizados em insumos dolarizados. Segundo apontamentos de entidades representativas das companhias aéreas, as altas consecutivas fizeram a participação do querosene subir do patamar de 32% para cerca de 45% do custo operacional total dos voos domésticos e internacionais.
O encarecimento sustentado do QAV fornecido pela Petrobras é repassado progressivamente aos bilhetes comercializados aos passageiros. No último levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as passagens aéreas registraram acréscimo de 9,66% em outubro, figurando entre os itens de maior peso individual para a taxa de 0,82% apurada no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Desafios operacionais e previsibilidade do setor
Com as companhias aéreas revendo suas projeções orçamentárias diante do novo reajuste da Petrobras, entidades de transporte aéreo cobram mecanismos mais previsíveis para a aquisição de combustíveis.
O setor avalia que o avanço contínuo do combustível ameaça as rotas regionais e limita promoções de passagens no período de fim de ano, tornando as revisões da Petrobras um ponto central nas negociações entre o governo federal e as companhias de aviação.