Pesquisa: Pix atinge 93% de aprovação entre os brasileiros

Levantamento detalha a consolidação do Pix na rotina dos trabalhadores e analisa a convivência com o mercado de cartões

Crédito: Marcello Caasaal Jr/Agência Brasil

De acordo com uma pesquisa divulgada pelo instituto Ipsos-Ipec, 93% dos brasileiros aprovam o Pix, enquanto apenas 5% desaprovam o sistema de pagamentos instantâneos. O levantamento ouviu presencialmente 2.000 pessoas em 130 municípios do país.

Os dados mostram ainda que 81% dos entrevistados utilizam o Pix regularmente para fazer transferências e pagamentos. Para a chefe de Relações Públicas do Ipsos-Ipec, Márcia Cavallari, esse nível de aprovação é incomum.

“O avanço do Pix no mercado financeiro brasileiro é notável, representando um consenso raro e uma aceitação massiva por parte da população. Este fenômeno reflete não apenas a eficácia e praticidade do sistema, mas também a confiança depositada pelos brasileiros em soluções inovadoras de pagamento”, afirma.

O Pix na rotina do trabalhador

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Divulgação

A diarista Ana Paula Rodrigues dos Santos está entre os brasileiros que incorporaram o Pix ao dia a dia. Ela utiliza a ferramenta para fazer compras, pagar contas e receber pelos serviços que presta.

“O Pix eu uso para tudo, para pagar, para receber. Uso para compras, para pagamento de contas, mercado. Ele é melhor porque você consegue receber imediato. Para pagar conta também, às vezes você vai pagar e no dinheiro leva três dias para cair, no Pix é na hora. É bem mais prático”, conta.

Para Ana Paula, receber o pagamento quase instantaneamente é uma das principais vantagens do sistema. Ela destaca ainda que o Pix eliminou a necessidade de ir até uma agência bancária ou lotérica para realizar depósitos ou pagamentos.

“A vantagem do Pix é que não precisa você estar indo em banco para pagar a conta, ou alguém pode fazer o pagamento para você. Então eu acho muita vantagem”, afirma.

Praticidade, mas também preocupação

Apesar da ampla aprovação, o Pix ainda desperta receios entre os usuários. A concentração dos serviços bancários no celular e o aumento dos golpes digitais fazem com que muitas pessoas redobrem os cuidados ao utilizar o sistema.

O marceneiro Adelto Nascimento Silva afirma que a possibilidade de ter o celular roubado é sua principal preocupação, em relação ao Pix.  Mas mesmo com receio, o marceneiro ainda vê o Pix como uma forma de pagamento vantajosa. 

“O Pix ficar no celular é uma preocupação, sim, pelo jeito que acontece o roubo hoje em dia, as fraudes. Tem que tomar muito cuidado e às vezes, por ser alguém estranho, eu prefiro não usar o Pix”, relata.

Ana Paula também evita compartilhar informações pessoais e prefere utilizar chaves de e-mail ou aleatórias em vez do CPF. Ela afirma que também evita utilizar o Pix em algumas compras pela internet.

“A gente tem uma certa preocupação por causa de se você fica sem o celular ou se a pessoa clona alguma coisa e consegue acessar seu CPF. Por isso, eu gosto de usar mais o celular, o e-mail ou a chave de código aleatório˜, explica ela. 

O Pix ameaça as empresas de cartão?

Cartão de Crédito   Pix
(Divulgação)

Na opinião do CEO da PagBrasil, Alex Hoffmann, o crescimento do Pix não representa concorrência desleal com as empresas de cartão de crédito. Segundo ele, instituições financeiras estrangeiras que atuam no Brasil também participam do sistema nas mesmas condições regulatórias das empresas nacionais.

“O Pix foi criado pelo Banco Central do Brasil com objetivos claros de política pública: criar uma infraestrutura eficiente de pagamentos instantâneos, ampliar a inclusão financeira, reduzir a dependência do dinheiro físico e diminuir a concentração bancária”, afirma.

Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mostram que o mercado de cartões continuou crescendo mesmo após o lançamento do Pix. O volume financeiro movimentado pelos cartões chegou a R$ 4,5 trilhões.

Segundo Hoffmann, isso demonstra que os dois meios de pagamento convivem no mercado.

“Hoje, o Pix representa mais de 54% das transações de pagamento no Brasil. No entanto, o volume total de transações com cartão mais do que dobrou desde o lançamento do Pix. Ou seja, o bolo aumentou significativamente, impulsionado pela inclusão financeira. Empresas de cartão se beneficiam do Pix; não há concorrência desleal”, conclui.

  • Publicado: 29/06/2026 17:48
  • Alterado: 29/06/2026 17:48
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: ABC do ABC