Pesquisa da FEI transforma casca de cacau em biocombustível
Pesquisa do Centro Universitário FEI utiliza casca de cacau para produzir bioetanol e enzimas, reduzindo o desperdício agrícola na Bahia
- Publicado: 06/06/2026 15:34
- Alterado: 06/06/2026 15:34
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
Uma pesquisa inovadora desenvolvida pelo Centro Universitário FEI transformou a casca do cacau em uma matéria-prima estratégica para a produção de bioetanol e enzimas industriais. O projeto, liderado pelas professoras de Engenharia Química Andreia Morandim-Giannetti e Bruna Pratto, propõe uma plataforma de biorrefinaria que soluciona o descarte de resíduos agrícolas e fomenta a bioeconomia circular.
A iniciativa conta com o apoio financeiro de uma chamada conjunta entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), unindo a expertise acadêmica paulista à realidade de um dos maiores polos produtores de cacau do País.
Solução para Passivo Ambiental e Renda no Campo

A viabilidade comercial do projeto se ancora no alto volume de resíduos gerados pela cadeia do chocolate. A casca do fruto representa cerca de 80% do peso total do cacau e, por não ter destinação comercial em larga escala, costuma acumular-se nas propriedades rurais. Esse descarte incorreto provoca a proliferação de pragas agrícolas e a emissão de gases de efeito estufa devido à decomposição orgânica.
“O projeto demonstra que resíduos agroindustriais podem gerar produtos de alto valor agregado. Para os agricultores familiares da Bahia, há potencial de geração de renda adicional por meio da comercialização dos resíduos, que passam a ter valor econômico real”, destaca a professora Bruna Pratto.
Além do ganho ambiental, a tecnologia atua na substituição de importações, uma vez que o Brasil é um forte importador de enzimas para os setores têxtil, cosmético, farmacêutico e de alimentos.
Evolução Científica e Validação

O sucesso com a biomassa do cacau reflete uma linha de pesquisa consolidada na FEI ao longo da última década. O processo de isolamento microbiano teve início em 2016, quando a professora Andreia Morandim-Giannetti liderou um estudo voltado ao aproveitamento de resíduos de mandioca.
O conhecimento acumulado permitiu criar a nova plataforma biotecnológica, cujos testes foram divididos em três frentes:
- Centro Universitário FEI: Validação da maior parte dos processos químicos e biológicos em laboratório;
- Senai Cimatec e UFBA (Bahia): Testes complementares e de integração regional.
De acordo com Andreia Morandim-Giannetti, a apresentação dos resultados converge propositalmente com os debates técnicos globais do Dia Mundial do Meio Ambiente. “É um momento importante para evidenciar a necessidade de tecnologias sustentáveis capazes de integrar desenvolvimento econômico, inovação e preservação ambiental”, pontua.
Próximos Passos
Com a tecnologia validada em escala laboratorial, as pesquisadoras agora concentram esforços em estudos avançados de modelagem e simulação computacional para otimizar os processos de fermentação. O objetivo final é atrair parcerias com indústrias nacionais para realizar testes de ganho de escala (escalonamento) e viabilizar a entrada dos biocombustíveis e das enzimas no mercado consumidor.