Pedido de urgência para projeto de anistia avança, mas depende de votação no plenário

Oposição garante 262 assinaturas, mas aprovação na Câmara ainda depende de maioria absoluta

Pedido de urgência para projeto de anistia avança, mas depende de votação no plenário

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Apesar de contar com 262 assinaturas, a proposta para acelerar a tramitação do projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro ainda enfrenta obstáculos para ser aprovada. A adesão expressiva de parlamentares não garante a votação imediata do texto, que ainda precisa passar pelo crivo do plenário da Câmara dos Deputados.

Segundo o Regimento Interno da Casa, o requerimento de urgência só será aceito se for aprovado pela maioria absoluta dos deputados, o que representa 257 votos favoráveis. As assinaturas coletadas apenas asseguram que o tema será pautado com prioridade, impedindo o arquivamento ou adiamento da solicitação por vias regimentais.

Panorama político revela divisão entre os parlamentares

Levantamento divulgado pelo Estadão, batizado de Placar da Anistia, mostra que o cenário político está longe de um consenso. Até o momento, 207 deputados manifestaram apoio à proposta, enquanto 127 se disseram contrários. Outros 101 preferiram não se posicionar, e 78 não responderam ao levantamento.

Parte dos parlamentares que assinaram o requerimento afirma que o apoio se restringe à discussão do tema, sem necessariamente concordar com o perdão aos envolvidos na depredação das sedes dos Três Poderes. Caso a urgência seja aprovada, o projeto será incluído na pauta prioritária da Câmara, podendo ser votado antes de outras matérias em análise.

Para avançar nessa nova fase, será necessário que a maioria simples dos deputados presentes em plenário vote a favor da proposta. Considerando, por exemplo, uma sessão com 450 parlamentares, seriam necessários pelo menos 226 votos positivos. Após essa etapa, a proposta ainda precisará passar pelo Senado e obter a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora o Congresso possa derrubar um eventual veto presidencial.

Articulação política e impacto do projeto

O requerimento de urgência foi protocolado nesta segunda-feira (14), resultado de uma articulação liderada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), com apoio de lideranças do Centrão e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que tem defendido publicamente a anistia aos manifestantes.

O texto do projeto não apenas contempla os condenados pelos atos de 8 de janeiro, como também pode beneficiar o próprio ex-presidente Bolsonaro, ao incluir pessoas envolvidas em manifestações correlatas realizadas naquele período. Em 2023, a proposta chegou a ser retirada da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por decisão da presidência da Câmara, então ocupada por Arthur Lira (PP-AL), o que atrasou sua tramitação.

Caso o andamento não tivesse sido interrompido, o texto já poderia ter sido analisado pela comissão no ano passado. Agora, com a possibilidade de votação em regime de urgência, o debate volta ao centro das atenções e promete gerar novos embates no Congresso Nacional.

  • Publicado: 16/04/2025 23:50
  • Alterado: 16/04/2025 23:50
  • Autor: Suzana Rezende