Pé-de-Meia para universitários custará R$ 4,6 bi ao ano
Novo benefício estudantil pagará R$ 700 mensais e poupança final a alunos do ensino superior. Entenda o impacto fiscal da medida Pé-de-Meia para universitários
- Publicado: 13/10/2026 23:00
- Alterado: 13/10/2026 23:01
- Autor: Leonardo Nogueira
O Pé-de-Meia para universitários entra na pauta do governo a 12 dias do pleito eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a criação da nova etapa do benefício financeiro. Estudantes do ensino superior público e bolsistas do ProUni receberão R$ 700 mensais durante dez meses. A medida mira exclusivamente alunos inscritos no CadÚnico com renda familiar per capita de até meio salário mínimo.
Como funciona o Pé-de-Meia para universitários

A nova versão do programa prevê repasses regulares atrelados a uma poupança final. O desenho espelha o modelo já consolidado no ensino médio. Os universitários terão direito a dez parcelas de auxílio ao longo de cada ano letivo.
Uma bonificação robusta aguarda os formandos. O governo depositará R$ 2.500 anuais ao longo de quatro anos de graduação. O montante acumulado de R$ 9.500 ficará bloqueado para saque até a obtenção definitiva do diploma.
“Todos os jovens estudantes das escolas universitárias vão receber R$ 700 de poupança por mês, durante 10 meses e no final do ano nós depositaremos R$ 2.500.”
O objetivo do Pé-de-Meia para universitários é mitigar a alta evasão nas faculdades. O capital acumulado também visa facilitar a transição desses jovens para o mercado de trabalho formal.
Custo bilionário e fontes de financiamento
A expansão da assistência estudantil exige um complexo malabarismo orçamentário. O senador Camilo Santana, novo porta-voz da campanha petista, confirmou um custo inicial de R$ 4,6 bilhões. A implementação ocorrerá de forma progressiva.
O financiamento da medida depende fortemente dos royalties do petróleo. O rateio projetado pela equipe governista mobiliza três fontes principais:
- R$ 1,23 bilhão oriundo do Fundo Social (recursos do pré-sal).
- R$ 293 milhões remanejados de atuais bolsas de permanência.
- R$ 3,1 bilhões provenientes de aportes adicionais do Tesouro.
O Pé-de-Meia para universitários alcançará cerca de 485 mil estudantes nesta fase inaugural.
Risco fiscal e limites da universalização
O plano de universalização esbarra em cifras astronômicas. O Brasil possui 1,8 milhão de matrículas em instituições públicas de ensino superior. Beneficiar todo esse contingente elevaria a fatura do programa para R$ 17,9 bilhões por ano.
Incluir a totalidade dos 434 mil alunos do ProUni agravaria a conta. O impacto final alcançaria a marca de R$ 22 bilhões a cada exercício. A equipe econômica monitora o cenário fiscal com extrema cautela.
A pauta educacional ganha contornos de urgência e apelo popular na reta final das urnas. O anúncio consolida a base governista, mas levanta questionamentos técnicos no mercado. Resta saber como o Congresso e a Fazenda acomodarão o Pé-de-Meia para universitários dentro das rígidas regras fiscais dos próximos anos.