Entre o passado e o futuro: o Egito ainda depende de Salah?
Às vésperas da estreia contra a Bélgica na Copa do Mundo, o Egito tenta provar que pode sonhar além de Mohamed Salah
- Publicado: 15/06/2026 12:27
- Alterado: 15/06/2026 12:27
- Autor: Vitor Bianco
- Fonte: ABCdoABC
Quando Mohamed Salah recebeu a braçadeira de capitão da seleção egípcia pela primeira vez, em 2019, parecia inevitável que toda uma geração passasse a ser definida por ele. Não era apenas o melhor jogador do país, mas era o maior ídolo desde Mohamed Aboutrika, o rosto do futebol egípcio para o mundo e o responsável por devolver esperança a uma torcida acostumada a alternar entre glórias continentais e frustrações mundiais.
Sete anos depois, às vésperas da estreia contra a Bélgica na Copa do Mundo de 2026, a pergunta continua a mesma: o Egito ainda depende de Salah?
Fase atual de Salah

Aos 34 anos, o atacante segue sendo a principal referência técnica e emocional dos Faraós. Sua influência transcende o campo. Em um país de mais de 110 milhões de habitantes, Salah se tornou um símbolo nacional.
Sua imagem está presente em comerciais, murais, campanhas sociais e, principalmente, nos sonhos de milhões de jovens que o enxergam como a prova de que é possível sair das margens do Nilo para conquistar o mundo.
Mas, pela primeira vez em muito tempo, o Egito chega a uma grande competição sem depender exclusivamente dele. A geração atual foi construída justamente para evitar esse cenário.
A nova geração egípcia
Nos últimos anos, a federação investiu na renovação gradual da equipe. Jogadores como Omar Marmoush, Marwan Attia e Ibrahim Adel passaram a assumir responsabilidades cada vez maiores, enquanto nomes experientes permaneceram para garantir estabilidade. O resultado foi uma seleção mais equilibrada, menos previsível e capaz de encontrar soluções quando Salah não está inspirado.

Essa transformação se mostrou mais do que necessária. Durante boa parte da última década, o Egito viveu uma relação de dependência quase absoluta com seu camisa 10. Quando Salah brilhava, a seleção competia. Quando ele era neutralizado, as alternativas raramente apareciam.
Foi assim na Copa Africana de Nações de 2021, quando os egípcios chegaram à final impulsionados por seu capitão, mas encontraram dificuldades sempre que precisaram dividir responsabilidades. Foi assim também em diversos confrontos decisivos das Eliminatórias Africanas.
A classificação para o Mundial de 2026, no entanto, mostrou uma equipe diferente. Mais madura, mais coletiva e menos refém de individualidades.
Significa que Salah perdeu importância?
Muito pelo contrário. Mesmo entrando nos anos finais da carreira, ele continua sendo o jogador capaz de decidir partidas em um único lance. Poucos atletas chegam a uma Copa do Mundo com um currículo tão impressionante.
Campeão de praticamente tudo pelo Liverpool, artilheiro histórico da seleção e referência do futebol africano no século XXI, Salah desembarca no torneio carregando a experiência que poucos possuem. E pela primeira vez, sua missão não é carregar o Egito sozinho, é liderar.
Egito para a Copa do Mundo 2026
A Bélgica, adversária da estreia, será um teste perfeito para medir até onde essa evolução realmente chegou. Os europeus continuam possuindo um elenco recheado de talentos e figuram entre os favoritos do grupo. Em outras épocas, os egípcios entrariam em campo apostando quase exclusivamente em um lampejo de seu principal astro.
Hoje, porém, diante deste atual cenário, a expectativa é diferente. Talvez o maior legado do atacante não esteja nos gols marcados ou nos recordes quebrados, mas esteja justamente na geração que ajudou a formar. Uma geração que cresceu vendo um egípcio dominar a Premier League, disputar finais de Liga dos Campeões e se tornar um dos maiores jogadores do planeta.
Agora, chegou a hora de descobrir se esses herdeiros estão prontos para caminhar sozinhos. Porque, independentemente do resultado desta Copa do Mundo, o Egito já começou a se preparar para o mundo após a “última dança” de Mohamed Salah.