Parque limpo da China inspira projeto no Brasil

Modelo do parque industrial sustentável criado na China será instalado no Brasil com aporte bilionário focado em combustíveis limpos

Parque limpo da China inspira projeto no Brasil

Crédito: Divulgação/Envision

O primeiro parque industrial do mundo com saldo líquido zero de emissões de dióxido de carbono, instalado na Mongólia Interior, na China, tornou-se a nova vitrine de energia renovável da empresa Envision. O modelo chinês, focado na produção de baterias e turbinas eólicas, servirá de base para um investimento de US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) planejado para o território brasileiro.

Como funciona a neutralidade de carbono no modelo chinês

A estrutura criada na China não elimina totalmente as emissões no processo manufatureiro. Trata-se de um cálculo contabilístico que compensa o volume de gases lançados na atmosfera por meio do equilíbrio entre geração renovável, armazenamento e gestão de carbono.

O docente da Faculdade Baruch, Gang He, ressalta a relevância estratégica da iniciativa, mas aponta ressalvas técnicas no modelo adotado na China:

“Trata-se de uma inovação importante, porque a descarbonização industrial exige exatamente esse tipo de coordenação entre energia limpa, armazenamento e demanda flexível.”

O especialista pondera que a medição na China costuma ser anual, o que permite a compensação contábil do uso de fontes fósseis em períodos sem geração solar ou eólica. Para alcançar o descarbonizado real, a verificação precisaria ocorrer de hora em hora.

O projeto sustentável e os planos para o mercado brasileiro

A regulação na China concede o selo de neutralidade a empreendimentos que atingem intensidade de carbono cerca de 90% inferior à média nacional. O vice-diretor da Comissão de Desenvolvimento e Reforma da Mongólia Interior, Huang Wenchuan, destaca o papel da iniciativa para atingir o pico de emissões do país até 2030:

“Apoiamos a participação de governos locais, empresas de parques, empresas de produção de energia, empresas de redes elétricas, empresas privadas e outros tipos de entidades na construção de parques de emissão zero, construindo uma comunidade de interesses.”

Anunciado em maio de 2025 durante a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, o complexo fabril brasileiro terá foco em hidrogênio verde, amônia e combustível sustentável de aviação. O professor Gang He avalia os cenários para a implementação local:

“A vantagem do Brasil é já ter um sistema elétrico relativamente limpo e forte experiência em biocombustíveis. O desafio é que o modelo chinês se apoia fortemente em política industrial coordenada, construção rápida de infraestrutura, cadeias de manufatura em larga escala e execução por governos locais. Essas condições podem ser mais difíceis de reproduzir.”

A Envision informou em nota que ainda não há definição sobre local, prazos ou cronograma das obras no Brasil, mantendo a avaliação de logística e estabilidade política antes dos anúncios oficiais do investimento vindo da China.

  • Publicado: 09/08/2026 14:15
  • Alterado: 09/08/2026 14:15
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: FolhaPress