Paresp reúne 2,1 mil pessoas e celebra inclusão no SP
Edição 2026 do Paresp reforça a inclusão e destaca histórias de superação no paradesporto com o tetracampeonato de São José dos Campos
- Publicado: 29/09/2026 22:06
- Alterado: 29/09/2026 22:30
- Autor: Gabriel de Jesus
A edição de 2026 do Paresp (Jogos Paralímpicos do Estado de São Paulo) foi encerrada com o tetracampeonato do município de São José dos Campos. O evento reuniu mais de 2,1 mil participantes, entre atletas e comissão técnica de 87 municípios paulistas, consolidando-se como uma grande vitrine de superação e inclusão social por meio do esporte adaptado.
Criado pelo Governo de São Paulo, o Paresp é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) e a Secretaria de Esportes. O programa busca ampliar o acesso às modalidades adaptadas e fortalecer a cultura do paradesporto em todas as regiões do estado.
O secretário dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, destaca que a iniciativa vai além do alto rendimento.
“O Paresp destaca a prática esportiva adaptada como instrumento de inclusão social, promoção da cidadania e valorização dos ideais do movimento paralímpico. O programa fortalece princípios como respeito e equidade, oferecendo às pessoas com deficiência oportunidades concretas de participação, socialização e desenvolvimento. Ao proporcionar vivências esportivas qualificadas e acessíveis, o Paresp contribui para a formação integral dos participantes e para o fortalecimento do paradesporto no Estado de São Paulo.”
Histórias de superação nos quadros de medalhas
Entre as trajetórias marcantes da competição está a do corredor cadeirante Heitor dos Santos, de 42 anos. Representante de Praia Grande, o atleta já acumula 13 anos de dedicação ao atletismo adaptado e esteve no pódio em todas as edições em que participou. Formado em automação industrial e ex-lutador de taekwondo, ele foi forçado a se aposentar após um acidente há duas décadas, encontrando no esporte um novo horizonte. Na atual edição, Heitor faturou ouro nos 400m, prata nos 200m e bronze no revezamento 4x100m.
“Mesmo não me tornando um atleta mundial ou paralímpico, o esporte me fez sentir muito mais incluído na sociedade, proporcionando a criação e o cultivo de muitas amizades que levarei para o resto da vida.”
A renovação do esporte adaptado também ganhou destaque com Victor Henrique Martins, de 26 anos. Estreante na competição e representando a cidade de Indaiatuba, o corredor nasceu com mielomeningocele e garantiu o ouro nos 200m e o bronze nos 400m. Com uma coleção de até 50 medalhas somando basquete e atletismo, Victor almeja chegar à Seleção Brasileira para oferecer melhores condições financeiras à sua família.
Qual é a importância do Paresp para Thales Roberto?
A busca por medalhas caminha lado a lado com o desejo de expandir a acessibilidade nas modalidades esportivas. O nadador Thales Roberto, de São José dos Campos, contribuiu diretamente para o título da cidade ao conquistar quatro medalhas (ouro nos 200m livre, prata nos 100m livre e 50m costas, e bronze nos 50m livre).
“Queremos ver o paradesporto alcançar muito mais pessoas com deficiência e essa é uma luta de todos nós.”
Mesmo ausente das pistas por conta de uma lesão, a bicampeã paralímpica de lançamento de disco Beth Gomes esteve presente para apoiar as delegações. A veterana, que disputa as competições estaduais desde a época dos antigos Jogos Regionais e Abertos do Interior, reforçou a relevância da infraestrutura esportiva paulista.
“Não tive filhos, mas alguns atletas me chamam de mãe e dizem me ver como referência. O Estado de São Paulo é uma potência no atletismo paralímpico e, se constituísse um país, ficaria no top 5 de várias competições internacionais.”
Com a conclusão de mais um ciclo do Paresp, o estado reafirma sua posição de referência nacional no desenvolvimento de atletas de ponta e na promoção de políticas públicas voltadas à pessoa com deficiência.