Oscar 2025: veja o que disseram os filhos de Rubens e Eunice Paiva sobre ‘Ainda Estou Aqui’

O diretor Walter Salles, que possui uma conexão pessoal com a família Paiva, reflete sobre a grande responsabilidade que sentiu ao retratar essa história.

  • Data: 27/02/2025 16:02
  • Alterado: 27/02/2025 16:02
  • Autor: Redação ABCdoABC
  • Fonte: Assessoria
Oscar 2025: veja o que disseram os filhos de Rubens e Eunice Paiva sobre ‘Ainda Estou Aqui’

Elenco do filme "Ainda Estou Aqui".

Crédito:Alile Dara Onawale/Divulgação

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O filme “Ainda Estou Aqui”, que levou o Brasil a uma das mais prestigiadas competições do cinema mundial, o Oscar, conta a história de Rubens Paiva (interpretado por Selton Mello), um ex-deputado federal que é raptado durante o regime militar. O enredo gira em torno de Eunice Paiva (vivida por Fernanda Torres), esposa de Rubens e mãe de cinco filhos, que se vê na responsabilidade de descobrir o paradeiro do marido e preservar sua memória, ao mesmo tempo em que tenta proteger sua família.

O diretor Walter Salles, que possui uma conexão pessoal com a família Paiva, reflete sobre a grande responsabilidade que sentiu ao retratar essa história. Desde sua infância, Salles teve acesso à intimidade da família e considera as entrevistas com as irmãs de Rubens — Veroca, Eliana, Nalu e Babiu — fundamentais para moldar a narrativa do filme. Ele afirma: “As informações que recebemos foram preciosas e influenciaram muitas cenas do longa”.

A reação dos filhos de Rubens e Eunice ao filme é variada e profundamente emocional. Marcelo Paiva, escritor e autor do livro que deu origem ao filme, compartilha suas impressões com a Coluna da Alice Ferraz no Estadão. Ele menciona como o processo de filmagem trouxe à tona lembranças dolorosas: “Eu e minhas irmãs estamos sofrendo, revivendo essas memórias”. Apesar da parcialidade em relação à sua própria obra, Marcelo acredita nas chances do filme na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar.

Em relação à atuação de Fernanda Torres, ele não hesita em afirmar: “Minha aposta é que ela ou Mikey Madison ganham o Oscar”. Contudo, Marcelo reconhece a competição acirrada entre produções como “Conclave” e “Anora”.

Vera Paiva, irmã mais velha e professora titular da Universidade de São Paulo (USP), expressa seu estranhamento em ver a própria história retratada nas telas: “É uma surpresa ter nossa vida exposta neste momento histórico do Brasil”. Ela elogia o trabalho de Torres, dizendo que a atriz encarnou sua mãe com grande fidelidade.

Eliana Paiva, também parte da narrativa familiar e sobrevivente das torturas durante a ditadura, tem uma visão crítica sobre o filme. Em entrevista à revista Marie Claire, ela declara: “O filme é muito bom, mas possui muitos elementos ficcionais”. Eliana admite que é desafiador para ela se distanciar emocionalmente da obra para apreciar seus aspectos técnicos.

Mariz Beatriz Paiva revela como o longa impactou suas emoções ao assisti-lo no Festival de Veneza: “Foi uma catarse; chorei muito e senti uma tristeza intensa”. A psicóloga compartilha ainda que as memórias evocadas pelo filme reabriram feridas emocionais que ela preferia manter fechadas.

A caçula da família, Babiu, também se mostrou impressionada com a performance de Fernanda Torres. Ela descreve sua mãe como alguém extremamente contida: “Ela era o silêncio em pessoa”. Babiu acredita que Torres conseguiu capturar tanto a seriedade quanto o humor sutil de sua mãe em sua interpretação.

Com esse filme, os Paivas não apenas resgatam suas memórias pessoais, mas também oferecem um vislumbre das cicatrizes deixadas pela ditadura militar no Brasil. A obra se torna uma poderosa reflexão sobre os efeitos duradouros da opressão e a luta pela verdade e pela memória.

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  • Data: 27/02/2025 04:02
  • Alterado:27/02/2025 16:02
  • Autor: Redação ABCdoABC
  • Fonte: Assessoria









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