Os heróis do Marrocos de 2022 e o legado que ainda vive

Da semifinal histórica no Catar ao Mundial de 2026: o legado da geração que colocou o Marrocos no mapa

Crédito: (Divulgação/CAF)

Quatro anos se passaram desde que o Marrocos escreveu uma das campanhas mais improváveis da história das Copas do Mundo. No Catar, os Leões do Atlas derrubaram gigantes , alcançaram as semifinais e se tornaram a seleção africana a chegar mais longe no principal torneio do planeta.

Naquela campanha histórica, a equipe comandada por Walid Regragui terminou à frente de Croácia, Bélgica e Canadá na fase de grupos, eliminou Espanha e Portugal no mata-mata e só foi parada pela França , que acabaria vice-campeã. O quarto lugar representou não apenas o melhor resultado da história do país, mas também um marco para todo o futebol africano.

Agora, às vésperas do confronto contra o Brasil na Copa do Mundo de 2026, vale revisitar alguns jogadores que fizeram parte daquela epopeia e entender o que aconteceu com eles desde então.

A espinha dorsal segue viva

Copa do Mundo - Marrocos
(Divulgação/Fifa)

Embora o elenco tenha passado por mudanças, alguns dos principais protagonistas de 2022 continuam sendo referências da seleção marroquina. Achraf Hakimi , lateral-direito do Paris Saint-Germain, consolidou-se em um dos líderes da equipe. Aos 27 anos, chega à atual Copa como capitão e principal rosto da geração que colocou o Marrocos no mapa das grandes seleções.

Outro nome indispensável é o goleiro Yassine Bounou . Herói nas disputas de pênaltis contra a Espanha e responsável por diversas defesas decisivas ao longo da campanha, Bounou manteve seu status de ídolo nacional e segue como um dos jogadores mais respeitados do elenco.

No meio-campo, Sofyan Amrabat continua sendo peça fundamental. O volante ganhou projeção mundial durante a Copa do Catar e, desde então, consolidou-se como um dos símbolos da competitividade marroquina.

Azzedine Ounahi talvez represente melhor do que ninguém o impacto daquele Mundial. Pouco conhecido internacionalmente antes do torneio, atuando pelo Angers, da França, o meia chamou a atenção de diversos clubes europeus após suas atuações diante da Espanha e do Portugal e tornou-se um dos rostos da nova geração.

Entre confirmações e caminhos inesperados

Nem todos os heróis de 2022 seguiram a mesma trajetória. O zagueiro Romain Saïss continua sendo uma figura respeitada, mas já não possui o mesmo protagonismo de quatro anos atrás.

O mesmo vale para Sofiane Boufal, que teve papel importante na campanha histórica, mas perdeu espaço conforme a s eleção iniciou seu processo de renovação. Ambos não foram convocados à Copa do Mundo 2026.Outros nomes daquele elenco acabaram seguindo caminhos menos brilhantes, como Ziyech, En-Nesyri e Wahid Cheddira.

É importante ressaltar, porém, que a renovação da seleção do Marrocos abriu espaço para jovens jogadores mostrarem seu potencial no maior torneio do futebol mundial, como Yassine Gessime, El Mourabet, Ayyoub Bouaddi e El Aynaoui.

A difícil missão de confirmar o sucesso

Após a euforia de 2022, o grande desafio do Marrocos era provar que sua campanha não havia sido apenas um acidente de percurso. As expectativas cresceram rapidamente. A seleção passou a ser tratada como uma das principais forças do continente africano e entrou em todas as competições seguintes carregando o peso de quem já havia demonstrado capacidade para competir com as maiores potências do mundo.

Nem sempre os resultados corresponderam ao entusiasmo criado pela semifinal no Catar. Na CAN de 2024, a equipe marroquina foi eliminada nas oitavas de final para a África do Sul , sendo a grande decepção do torneio. No entanto, na CAN do início desse ano, Marrocos chegou à final e, em campo, saiu derrotado, mas, no famigerado “tapetão”, os Leões do Atlas foram campeões por Senegal ter abandonado o campo durante a partida e voltado minutos depois por uma decisão controversa do árbitro.

Apesar da polêmica, Marrocos seguiu acumulando boas campanhas e preservando uma identidade que mistura organização defensiva, intensidade física e talento técnico, especialmente pelos lados do campo.

Uma geração que deixou legado

Copa do Mundo - Marrocos
(Divulgação/Fifa)

Mais importante do que os resultados obtidos depois de 2022 talvez seja o legado construído por aquele grupo. A campanha no Catar alterou a percepção internacional sobre o futebol marroquino. Clubes europeus passaram a observar com mais atenção os talentos do país, enquanto uma nova geração de jogadores cresceu acreditando que é possível competir em igualdade com as maiores seleções do planeta.

Hoje, ao entrar em campo contra o Brasil, o Marrocos já não carrega o rótulo de surpresa. Os Leões do Atlas são vistos como uma seleção consolidada, respeitada e capaz de desafiar qualquer adversário. Independentemente do que acontecer nesta Copa do Mundo, aquela geração já garantiu seu lugar na história. Não apenas do Marrocos, mas de todo o futebol africano.

  • Publicado: 13/06/2026 15:00
  • Alterado: 15/06/2026 15:49
  • Autor: Vitor Bianco
  • Fonte: ABCdoABC