Operação investiga lavagem de dinheiro do PCC em empresa de ônibus de SP
Vereador Senival Moura e dirigentes da Transunião são alvos de operação do Deic e do Ministério Público por suspeita de ligação com o PCC no transporte público
- Publicado: 25/06/2026 09:21
- Alterado: 25/06/2026 09:21
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: MP-SP
A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público estadual deflagraram, na manhã desta quinta-feira (25), a Operação Última Parada, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) dentro do sistema de transporte público da capital paulista.
A ação mobilizou equipes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), responsáveis pelo cumprimento de cinco mandados de prisão temporária e 104 mandados de busca e apreensão em São Paulo, região metropolitana e no município de Extrema, em Minas Gerais.
Entre os alvos estão o vereador paulistano Senival Moura (PT), apontado pelas investigações como controlador da empresa de ônibus Transunião, além de dirigentes e funcionários ligados à companhia.
Justiça determina afastamento da diretoria da Transunião
Por decisão judicial, todos os diretores e administradores da Transunião foram afastados de suas funções. A medida busca interromper a influência dos investigados na gestão da empresa, que opera atualmente 51 linhas de ônibus na capital paulista.
Segundo dados do setor de transporte, a companhia atende cerca de 389 mil passageiros diariamente, principalmente na Zona Leste da cidade.
A Prefeitura de São Paulo foi comunicada oficialmente sobre a decisão para adotar as medidas administrativas necessárias e garantir a continuidade do serviço sem prejuízos à população.
Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans informaram que a operação das linhas segue normalmente.
Bloqueio de bens ultrapassa R$ 194 milhões
Como parte das medidas cautelares, a Justiça autorizou o bloqueio de um amplo patrimônio vinculado aos investigados.
Entre os bens sequestrados estão:
- R$ 194,4 milhões em contas bancárias;
- 117 veículos;
- 21 imóveis;
- Três embarcações.
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas.
Investigação começou após assassinato de ex-presidente da empresa
De acordo com o Ministério Público, a apuração teve origem nas investigações sobre a morte de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, executado em 2020.
Durante as investigações, autoridades encontraram documentos atribuídos ao PCC que indicariam conflitos internos relacionados ao controle financeiro da empresa. Segundo a promotoria, a facção suspeitava de desvios de recursos que teriam sido destinados a atividades políticas durante as eleições municipais daquele ano.
As informações levantadas passaram a apontar uma possível infiltração do crime organizado na estrutura administrativa da companhia.
Empresa teria sido usada para movimentação de recursos ilícitos
Segundo os investigadores, a Transunião mantinha uma estrutura paralela de comando que tomava decisões estratégicas e autorizava movimentações financeiras em benefício de integrantes da facção criminosa.
O Ministério Público também aponta suspeitas sobre alterações societárias da empresa. Conforme a investigação, o capital social da companhia teria aumentado de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem comprovação da origem dos recursos.
Para os promotores, essa mudança teria permitido que a empresa participasse e conquistasse contratos públicos para operar linhas do transporte coletivo da cidade.
Ligações com outras operações contra o crime organizado
As autoridades afirmam que os elementos reunidos durante a Operação Última Parada possuem conexão com outras investigações de combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico internacional de drogas.
Entre elas estão as operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi, esta última conduzida pela Polícia Federal e que identificou relações entre integrantes do PCC e a organização criminosa italiana conhecida como ‘Ndrangheta.
A nova ofensiva reforça as ações das forças de segurança para combater a infiltração de organizações criminosas em contratos públicos e serviços essenciais na capital paulista.
Prefeitura acompanha desdobramentos
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que acompanha o andamento da operação e destacou que o serviço de transporte público segue funcionando normalmente.
Segundo ele, eventuais medidas administrativas relacionadas à Transunião serão adotadas após análise formal da decisão judicial e das informações encaminhadas pelos órgãos responsáveis pela investigação.