Onda de calor aumenta risco de incêndios florestais em SP
Com risco elevado de incêndios, umidade crítica e calor de 40 °C, Defesa Civil de SP reforça cuidados no campo e nas rodovias
- Publicado: 29/08/2026 14:52
- Alterado: 29/08/2026 14:52
- Autor: Daniela Ferreira
A combinação de altas temperaturas, queda acentuada na umidade relativa do ar e vegetação ressecada elevou o alerta para risco severo de incêndios em diversas regiões do Estado de São Paulo. Segundo boletim emitido pela Defesa Civil do Estado de São Paulo, a atuação de uma massa de ar quente e seco entre o final de agosto e o início de setembro de 2026 exige cuidados redobrados da população em áreas urbanas, rurais e ao longo da malha rodoviária.
As condições mais críticas são projetadas para as regiões Norte e Noroeste paulista, onde as temperaturas máximas podem se aproximar dos 40 °C e os índices de umidade relativa do ar podem cair para patamares abaixo de 12% nos horários de pico.
Fatores Climáticos e a Regra do “Quatro-Trinta”
A ausência de chuvas associada ao vento constante acelera o ressecamento da folhagem e do solo, transformando a vegetação em combustível de rápida propagação. Em condições de estiagem, fagulhas ou queimadas de resíduos podem se transformar em grandes focos em poucos minutos.

No meio rural, especialistas utilizam como indicador de risco extremo o parâmetro conhecido como “quatro-trinta”:
- Estiagem: Períodos prolongados sem precipitação pluvial;
- Umidade Relativa do Ar: Índices inferiores a 30%;
- Temperatura: Termômetros acima de 30 °C;
- Vento: Rajadas de vento superiores a 30 km/h.
Quando esses quatro elementos ocorrem simultaneamente, qualquer fonte de calor ganha força velozmente, dificultando o combate pelas brigadas de emergência.
Prevenção em Propriedades Rurais e Manutenção de Aceiros

Para minimizar a vulnerabilidade das propriedades rurais, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento reforça que a manutenção dos terrenos é a primeira linha de defesa contra o fogo.
Dentre as recomendações técnicas, destaca-se a manutenção dos aceiros, faixas limpas e desprovidas de vegetação destinadas a barrar a passagem das chamas:
- No Interior da Propriedade: Largura mínima de 3 metros entre talhões de cultivo;
- Nas Divisas e Cercas: Largura mínima de 5 metros em cada lado;
- Entorno de Matas Nativas: Largura mínima de 6 metros de proteção.
As autoridades orientam também que restos de poda, palhada e lixo não devem ser queimados. O uso do fogo para manejo agrossilvipastoril exige autorização prévia e encontra-se suspenso durante períodos de emergência ambiental.
Ações de Monitoramento nas Rodovias Paulistas

Nas estradas estaduais, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP), órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), reforçou o plano de contingência ao longo de mais de 12 mil quilômetros de vias não concedidas.
A operação preventiva conta com:
- Segmentos de Monitoramento: Mapeamento de trechos em módulos de 500 metros para classificação de risco;
- Recursos Humanos e Estrutura: Mobilização de 224 brigadistas e 56 caminhonetes equipadas com sistema de autobomba;
- Coordenadorias Regionais: Atuação de 14 Unidades Básicas de Atendimento (UBAs) para pronta resposta em margens de rodovias.
Motoristas e passageiros devem evitar o descarte de bitucas de cigarro, garrafas de vidro ou materiais inflamáveis pelas janelas dos veículos, conduta que figura entre as principais causas de incêndios lindeiros.
Canais de Emergência e Monitoramento
Ao identificar fumaça ou princípio de incêndio, a orientação é não tentar combater as chamas de forma isolada, acionando imediatamente as forças de segurança pública.
| Serviço / Órgão | Telefone de Emergência | Canal Alternativo |
|---|---|---|
| Corpo de Bombeiros | 193 | Aplicativo Bombeiros Emergência |
| Defesa Civil Estadual | 199 | Alertas via SMS (Enviar CEP para 40199) |
| Denúncias Anônimas de Incêndio Criminal | 181 / 190 | Portal da Polícia Civil de SP |
Para acompanhamento de focos de queimadas em tempo real, a população pode consultar as plataformas do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (CIIAGRO) e o Painel do Fogo (Censipam).