Nunes diz que STF ‘não vai chorar no cemitério’ após liberação do Uber Moto

Prefeito de São Paulo afirma que recorrerá da decisão judicial que determina o credenciamento da Uber Moto e critica o STF.

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, afirmou na noite de quarta-feira (22) que o município recorrerá da decisão da Justiça que obriga o credenciamento da Uber para transporte de passageiros por motocicleta. O chefe do Executivo municipal criticou duramente o Supremo Tribunal Federal (STF) pela liberação do serviço na capital paulista.

Durante evento na Zona Sul da cidade, o político associou a medida judicial ao aumento iminente de ocorrências fatais no trânsito local. “Quando acontecer o acidente, a morte, as amputações, as pessoas ficarem paraplégicas, não vai ter ninguém chorando a perda das pessoas no cemitério”, declarou o prefeito.

Embate de Nunes contra decisões judiciais

O mandatário direcionou suas críticas ao ministro Alexandre de Moraes, que suspendeu parte das exigências criadas pela Prefeitura de São Paulo para regulamentar o setor. Nunes entende que o Judiciário interfere de maneira inadequada nas políticas públicas municipais e estaduais por meio de decisões monocráticas.

O gestor ressaltou o esforço da administração local em criar normas rigorosas para a atividade de transporte. “A lei fala que é para a cidade regulamentar. A gente regulamenta e o ministro derruba”, lamentou o líder paulistano sobre a anulação das regras aprovadas pela Câmara Municipal.

Impacto projetado na rede pública de saúde

A administração projeta uma forte sobrecarga nos hospitais caso a liberação do serviço por aplicativo permaneça em vigor. O Executivo municipal advertiu que a rede pública precisará ampliar sua estrutura de saúde para atender as vítimas, projetando um cenário com muitos casos de traumas severos.

Os números de mortalidade no trânsito fundamentam a posição da gestão. Apenas no ano passado, 475 pessoas morreram em acidentes envolvendo motocicletas na cidade. Dados do Instituto Lucy Montoro indicam que 55% dos pacientes atendidos são vítimas desse tipo de ocorrência, dos quais 58% ficam paraplégicos e 20% sofrem amputações.

Justiça dá ultimato à gestão Nunes

Na terça-feira (21), a 16ª Vara da Fazenda Pública estabeleceu um prazo de 48 horas para a prefeitura autorizar a operação da plataforma, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. A juíza Patrícia Persicano Pires considerou que a empresa de tecnologia já cumpria os requisitos legais relacionados ao seguro.

O embate jurídico se arrasta desde o início do ano, quando o Supremo barrou exigências como o uso de placa vermelha e o controle automático de motoristas. A prefeitura mantém a postura de que a modalidade coloca a população em risco, e Nunes reforça que o município esgotará todos os recursos cabíveis para reverter a autorização concedida pela Justiça.

  • Publicado: 23/07/2026 07:51
  • Alterado: 23/07/2026 07:51
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Assessoria