Nunes Marques convoca campanhas de Lula e Flávio para reunião
Presidente do TSE convoca coordenadores após conflito de decisões sobre canal no WhatsApp e acusações de desinformação na reta final.
- Publicado: 13/10/2026 07:19
- Alterado: 13/10/2026 07:19
- Autor: Thiago Antunes
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, marcou uma reunião nesta terça-feira (13) com coordenadores das campanhas presidenciais de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O encontro busca alinhar a conduta para o segundo turno, após um duro embate judicial envolvendo um canal de WhatsApp administrado pelo deputado André Janones (REDE).
A crise começou quando a campanha do partido liberal acionou a Justiça Eleitoral para derrubar o grupo virtual. Os advogados apontaram disseminação sistemática de notícias falsas e orientações para burlar regras da plataforma. O espaço saltou de 55 mil para mais de 3 milhões de usuários em poucos dias logo após o primeiro turno.
Decisões conflitantes de Nunes Marques e Cueva

O corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva solicitou mais informações à campanha do PL antes de analisar a suspensão. Quarenta minutos depois, a equipe política apresentou um novo pedido diretamente à presidência da Corte. O ministro Nunes Marques atendeu à solicitação e derrubou a ferramenta, justificando a necessidade de conter a desinformação em massa.
Horas depois, Cueva restabeleceu a conta, proibindo apenas conteúdos já classificados como falsos pela Corte. O corregedor criticou a manobra jurídica e remeteu a análise definitiva para o plenário do tribunal. “Não se pode apresentar o mesmo pedido por caminhos diferentes para escolher quem vai julgar”, afirmou o magistrado no documento.
Na segunda-feira (12), Nunes Marques ordenou que a área técnica avaliasse os riscos da plataforma. Os peritos do tribunal confirmaram o volume expressivo de mensagens e orientações sincronizadas de mobilização. Eles informaram que publicações de setembro foram apagadas, dificultando a localização de mensagens falsas vetadas.
Reações das coligações e falha técnica
As duas equipes criticaram publicamente o andamento do processo. A coordenação petista publicou nota classificando o bloqueio inicial como censura e alegando parcialidade da presidência da Corte. A equipe liberal mirou o corregedor, afirmando existir descumprimento flagrante do Plano de Conformidade firmado com o Grupo Meta, dono do aplicativo.
Em paralelo às disputas judiciais, a campanha do PL enfrentou problemas na televisão. A propaganda eleitoral foi exibida sem áudio durante a tarde de segunda-feira. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) confirmou a falha no processamento do material. O embate sobre o aplicativo segue sem data marcada no plenário, enquanto Nunes Marques tenta pacificar os ânimos a poucos dias da votação.