Nova estação de Rio Grande da Serra ganha nova etapa
CPTM busca empresa para fiscalizar projetos e futura reconstrução, mas contrato não contempla a execução das obras. Entenda o que muda a partir de agora
- Publicado: 31/08/2026 13:20
- Alterado: 31/08/2026 13:20
- Autor: Edvaldo Barone
A reconstrução da Estação Rio Grande da Serra entrou em uma nova fase administrativa nesta segunda-feira, 31 de agosto, mas ainda não significa que as obras estejam prestes a começar. A CPTM abriu uma concorrência para contratar a empresa que ficará responsável por acompanhar tecnicamente o desenvolvimento dos projetos e, posteriormente, a execução da nova estrutura ferroviária. A diferença é importante porque a contratação da construtora que efetivamente realizará a intervenção não é o objeto dessa disputa.
Na prática, a companhia está preparando a estrutura de fiscalização que deverá acompanhá-la durante o empreendimento. A empresa selecionada terá atribuições relacionadas aos projetos básicos e executivos de arquitetura e engenharia e também à supervisão dos serviços quando a reconstrução chegar à fase de obras. A sessão pública da concorrência está prevista para 10 de novembro de 2026, às 10h.
A movimentação acrescenta uma peça a um projeto aguardado há anos em Rio Grande da Serra, cidade que abriga a estação terminal da Linha 10 Turquesa. Ao mesmo tempo, o estágio atual recomenda cautela com os prazos. Antes de passageiros encontrarem uma estação em obras, diferentes contratos e etapas técnicas ainda precisam ser concluídos.
Supervisão vem antes da reconstrução
A concorrência aberta pela CPTM recebeu a identificação LC00626. O edital e os documentos da disputa estão disponíveis a partir desta segunda-feira nos canais da companhia e no Diário Oficial.
A função da futura contratada será acompanhar o empreendimento em nome da CPTM. Isso inclui verificar o desenvolvimento dos projetos de engenharia e arquitetura e, durante a implantação, fiscalizar aspectos técnicos relacionados à execução, às especificações previstas e à qualidade dos serviços.
Essa distinção altera a leitura sobre o momento vivido pelo projeto. Não está sendo escolhida agora a empresa que construirá a nova Estação Rio Grande da Serra. A CPTM procura a companhia que dará suporte técnico à fiscalização e ao acompanhamento das etapas necessárias para que a reconstrução seja desenvolvida conforme os projetos e contratos.
O avanço, portanto, está na preparação do empreendimento. É um passo necessário para uma obra desse porte, mas não deve ser confundido com uma ordem de serviço ou com a definição de uma data para o início das intervenções físicas na estação.
Cronograma ainda depende das próximas etapas

Os prazos divulgados ao longo de 2026 ajudam a mostrar por que a nova concorrência não representa o começo imediato das obras em Rio Grande da Serra. Informações anteriormente apresentadas pela CPTM à administração municipal apontaram o segundo semestre de 2027 como previsão para início da reconstrução.
Já o Plano de Negócios da companhia colocou 2030 como horizonte para a conclusão da nova estrutura. O calendário ainda poderá sofrer ajustes conforme projetos, processos licitatórios e contratos avancem.
A concorrência para supervisão deve ser compreendida dentro desse percurso. Com a sessão marcada para novembro, o processo ainda precisará passar pelas etapas próprias da licitação antes da contratação da empresa vencedora.
Para Rio Grande da Serra, a sucessão dessas fases tem peso especial. A cidade depende da Linha 10 como principal conexão ferroviária com outros municípios do Grande ABC e com São Paulo, enquanto a estação também atende passageiros que utilizam ônibus metropolitanos e deslocamentos relacionados ao eixo turístico de Paranapiacaba.
Modernização encontra uma estação do século 19
Reconstruir a estação também envolve uma característica incomum para uma infraestrutura de transporte utilizada diariamente no século 21. Rio Grande da Serra integra a história ferroviária paulista desde 1867, quando foi inaugurada a São Paulo Railway, ligação entre Santos e Jundiaí que atravessava o ABC e a capital.
A estação de Rio Grande da Serra, faz parte, ao lado de Ribeirão Pires, do patrimônio ferroviário protegido no Estado. Essa condição coloca o projeto diante de duas necessidades simultâneas. A estrutura precisa responder às exigências atuais de acessibilidade, circulação, conforto e operação ferroviária sem ignorar o valor histórico associado ao conjunto existente.
A reconstrução ocorre ainda dentro de uma transformação mais ampla da Linha 10 Turquesa. Outros investimentos incluem intervenções de acessibilidade nas estações Prefeito Celso Daniel Santo André e Mauá, uma nova subestação retificadora em Santo André, modernização da sinalização do Pátio Mauá Norte e a reconstrução da Estação Ipiranga, prevista para integração com a futura extensão da Linha 15 Prata.
No caso de Rio Grande da Serra, a licitação aberta agora permite dizer que o projeto ganhou uma nova etapa concreta, mas não que a obra começou. A próxima referência do calendário será 10 de novembro, quando está prevista a sessão da concorrência para definir quem poderá assumir a supervisão técnica. A contratação responsável pela reconstrução propriamente dita permanece como outra etapa do caminho.