Neblina no inverno: cuidados que podem evitar acidentes no trânsito
Baixa visibilidade exige redução da velocidade, técnica ao volante e atenção redobrada nas vias do Grande ABC
- Publicado: 10/07/2026 11:46
- Alterado: 10/07/2026 11:46
- Autor: Luiz Vicente Figueira de Mello Filho
- Fonte: ABCdoABC
Com a chegada do inverno, os motoristas do Grande ABC voltam a conviver com um fenômeno típico da estação: a redução da visibilidade provocada pela névoa e pela neblina. A combinação entre temperaturas mais baixas, elevada umidade e relevo característico da região favorece a formação desses fenômenos, especialmente durante as primeiras horas da manhã e no período noturno.
Em uma região cercada por importantes rodovias, como a Anchieta, a Imigrantes e o Rodoanel, dirigir com visibilidade reduzida exige atenção redobrada e mudança de comportamento ao volante.
Névoa e neblina
Embora muitas pessoas utilizem os termos como sinônimos, existe uma diferença técnica entre eles. A névoa é um fenômeno em que pequenas gotículas de água permanecem suspensas no ar, reduzindo parcialmente a visibilidade, mas ainda permitindo enxergar objetos a mais de um quilômetro de distância.
Já a neblina é mais intensa: ocorre quando essa visibilidade cai para menos de um quilômetro, podendo chegar a poucas dezenas de metros nos casos mais severos. Em situações extremas, a percepção da pista, dos demais veículos e da sinalização fica significativamente comprometida.
Esses fenômenos se formam quando o ar úmido próximo ao solo esfria até atingir o chamado ponto de orvalho. Nesse momento, o vapor d’água se condensa em pequenas gotículas que permanecem suspensas, formando uma espécie de “nuvem ao nível do solo”. Durante o inverno, as madrugadas mais frias, associadas à alta umidade e aos ventos fracos, criam condições ideais para sua formação.
Este fenômeno merece atenção no Grande ABC

No Grande ABC, esse cenário merece atenção especial. A proximidade com a Serra do Mar favorece a ocorrência frequente de bancos de neblina, principalmente nas rodovias Anchieta e Imigrantes. Nesses trechos, a visibilidade pode variar drasticamente em poucos metros, surpreendendo motoristas que trafegavam normalmente instantes antes.
O maior risco não é apenas a presença da neblina, mas dirigir em velocidades incompatíveis com a capacidade de enxergar e reagir aos obstáculos. Existe um princípio básico da segurança viária: o veículo deve sempre ser conduzido dentro da distância que o motorista consiga visualizar.
Se a visibilidade é de apenas 50 metros, por exemplo, trafegar a 100 km/h significa percorrer aproximadamente 28 metros por segundo, restando menos de dois segundos para identificar um obstáculo, decidir o que fazer, reagir e iniciar a frenagem. Na maioria dos casos, esse tempo é insuficiente para evitar uma colisão.
Outro erro comum é confiar excessivamente nos sistemas eletrônicos dos veículos novos. Tecnologias como frenagem automática de emergência, controle adaptativo de velocidade e assistentes de permanência em faixa são importantes aliados, mas seu desempenho também pode ser prejudicado quando câmeras e sensores têm sua capacidade reduzida pela baixa visibilidade.
Cuidados neste momento

Entre os cuidados mais importantes está o uso correto da iluminação. O farol baixo deve permanecer aceso durante todo o deslocamento sob neblina. Além de melhorar a capacidade de enxergar a via, ele torna o veículo mais visível aos demais usuários.
O farol alto, ao contrário do que muitos imaginam, deve ser evitado. Sua luz é refletida pelas gotículas de água suspensas no ar, produzindo um efeito semelhante a uma “parede branca luminosa” que reduz ainda mais a visibilidade do condutor.
Quando disponível, o farol de neblina pode complementar a iluminação, assim como a lanterna de neblina, quando disponível. Já o pisca-alerta não deve ser usado com o veículo em movimento. Seu uso contínuo pode dificultar a percepção das intenções do motorista e confundir quem trafega atrás, sendo indicado apenas quando o veículo estiver parado em situação de emergência.
Também é fundamental aumentar significativamente a distância do veículo à frente. Em condições normais, recomenda-se uma distância de pelo menos dois segundos. Sob neblina, esse intervalo deve ser ampliado para quatro ou até cinco segundos, proporcionando maior tempo para reação caso ocorra uma frenagem inesperada.
Outro cuidado importante é evitar mudanças bruscas de faixa e ultrapassagens desnecessárias. Como a percepção de distância fica comprometida, veículos podem surgir inesperadamente em sentidos opostos ou em faixas adjacentes. Movimentos suaves e previsíveis reduzem o risco de acidentes.
Caso a visibilidade se torne extremamente reduzida, a recomendação mais segura é interromper a viagem em um local apropriado, como um posto de serviços ou área de descanso. Nunca se deve parar no acostamento apenas por causa da neblina. Outros motoristas podem não conseguir enxergar o veículo parado a tempo de evitar uma colisão.
Manutenção em dia no veículo, faz a diferença
A manutenção do veículo também desempenha papel importante na segurança. Limpadores de para-brisa em boas condições, reservatório do lavador abastecido e sistema de desembaçamento funcionando adequadamente contribuem para preservar a visibilidade, como o ar quente para os veículos desprovidos de ar condicionado, que é a alternativa mais segura. Manter os vidros limpos, tanto interna quanto externamente, também reduz reflexos e melhora a percepção da via.
Atenção redobrada
Por fim, vale lembrar que a neblina não representa apenas um desafio para quem dirige automóveis. Motociclistas tornam-se menos visíveis e mais vulneráveis, ciclistas podem ser percebidos tardiamente e pedestres praticamente desaparecem em trechos mal iluminados. A prudência deve ser coletiva.
O inverno no Grande ABC traz paisagens marcadas pela neblina sobre a Serra do Mar, mas também exige responsabilidade de todas as pessoas que utilizam as vias. Reduzir a velocidade, utilizar corretamente os faróis, manter distância segura e compreender que a pressa nunca deve superar a capacidade de enxergar são atitudes simples que salvam vidas. Afinal, quando a visibilidade diminui, a melhor tecnologia continua sendo a técnica na pilotagem e o bom senso do motorista.
Luiz Vicente Figueira de Mello Filho

Agente transformador da mobilidade urbana. Luiz é colunista de mobilidade do portal ABCdoABC. Pesquisador do Programa de Pós-doutorado em Engenharia de Transportes e Professor Credenciado da Unicamp – Faculdade de Tecnologia. É doutor em Engenharia Elétrica no Departamento de Comunicação – DECOM – FEEC da Unicamp (2020), mestre em Engenharia Automotiva pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (2009), pós-graduado em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero (2005), possui graduação em Administração de Empresas (2002) e em Engenharia Mecânica (1999), ambas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.