Musical sobre Dalva de Oliveira entra em últimas semanas
O espetáculo revisita a trajetória de Dalva de Oliveira para exaltar sua potência vocal e seu pioneirismo contra o machismo dos anos 1950
- Publicado: 30/06/2026 12:40
- Alterado: 30/06/2026 12:40
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
O Teatro do SESI-SP, localizado no Centro Cultural Fiesp, na Avenida Paulista, entra nas últimas duas semanas de exibição do musical “Minha Estrela Dalva”. Escrita por Renato Borghi, ícone dos palcos nacionais e cofundador do Teatro Oficina, a peça fica em cartaz até o dia 12 de julho de 2026. O espetáculo homenageia Dalva de Oliveira, o “Rouxinol do Brasil”, uma das maiores vozes da era de ouro do rádio.
As sessões acontecem de quinta a domingo com entrada franca, sendo necessária a reserva prévia dos ingressos limitados pelo site oficial do SESI-SP.
Encontro onírico de fã e diva

Longe de ser uma biografia linear e convencional, a dramaturgia de “Minha Estrela Dalva” projeta um “delírio documentado”. No palco, o próprio Renato Borghi invade o camarim de sua musa de infância para propor a ela um projeto que o tempo e a morte interromperam: um espetáculo teatral político integrando a voz visceral de Dalva às canções contestatórias de Bertolt Brecht e Kurt Weill.
O espetáculo conta com uma dinâmica de metalinguagem e desdobramento geracional:
- Mito humano: A premiada atriz e cantora Soraya Ravenle dá voz a Dalva, interpretando suas dores e o pioneirismo de uma mulher que enfrentou o machismo institucionalizado dos anos 1950;
- O duplo de Borghi: O ator Elcio Nogueira Seixas, que divide a direção artística com o encenador Elias Andreato, interpreta a versão jovem de Renato Borghi na efervescente contracultura de 1969;
- Os amores tempestuosos: O ator e cantor baiano Ivan Vellame encarna as figuras masculinas que marcaram o cotidiano da diva, como o compositor Herivelto Martins.
“Dalva transformou cada golpe em canção. Pelos jornais da década de 1950, ela foi submetida ao mesmo linchamento público que se vê hoje. Escrevi essa peça não para embalsamá-la em nostalgia, mas para devolvê-la ao palco viva, contraditória e indomável”, destaca o dramaturgo e protagonista Renato Borghi.
Cenografia monumental e orquestra ao vivo
A atmosfera visual recria o glamour radiofônico em paralelo com a crueza estética do teatro épico. A montagem conta com cenário assinado por Márcia Moon, iluminação de Wagner Pinto e figurinos desenhados por Fábio Namatame. Sob a direção musical de William Guedes, uma mini-orquestra composta por sete músicos (incluindo cordas, piano, baixo e percussão) executa ao vivo os sambas-canções imortais e arranjos inéditos (como a versão de “Jenny dos Piratas”).
Aos sábados e domingos, as sessões oferecem acessibilidade completa ao público por meio de intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e serviço de audiodescrição.
Serviço
- Temporada: Até 12 de julho
- Horários: Quinta a sábado, às 20h; domingos, às 19h
- Local: Teatro do SESI-SP — Centro Cultural Fiesp (Av. Paulista, 1313 – em frente ao Metrô Trianon-Masp, São Paulo – SP)
- Ingressos: Gratuitos
- Classificação: 14 anos | Duração: 90 minutos