Musculação retarda envelhecimento do coração em idosas
Estudo indica que a prática de musculação preserva a função cardíaca em idosas e reduz riscos vasculares
- Publicado: 06/08/2026 15:58
- Alterado: 06/08/2026 15:58
- Autor: Daniela Ferreira
A prática regular de musculação pode desacelerar o envelhecimento do sistema cardiovascular em mulheres idosas, aponta um estudo publicado na revista científica Medicine & Science in Sports & Exercise. O achado amplia os benefícios comprovados do treinamento de força, demonstrando que a modalidade atua na preservação da função cardíaca e vascular ao longo dos anos.
De acordo com a pesquisa, o exercício de força contínuo está associado à redução de alterações degenerativas e da rigidez arterial, fatores que elevam a incidência de infartos, insuficiências e acidentes vasculares cerebrais (AVCs) durante o envelhecimento.
Ação Fisiológica e Vascular

Com o avançar da idade, o sistema cardiovascular sofre modificações fisiológicas que comprometem a eficiência do bombeamento de sangue. A cardiologista Dra. Fernanda Douradinho explica que o envelhecimento cardíaco envolve o enrijecimento do músculo do coração e das artérias, além da perda progressiva da aptidão física e da capacidade de relaxamento do ventrículo esquerdo:
“O envelhecimento cardíaco está relacionado ao aumento da rigidez do músculo cardíaco e das artérias, à redução da capacidade de relaxamento do ventrículo esquerdo e à perda progressiva da aptidão física. A musculação ajuda a minimizar essas alterações porque melhora a função dos vasos sanguíneos, reduz a inflamação crônica, preserva a massa muscular e favorece um melhor controle da pressão arterial, da glicemia e do colesterol, fatores diretamente relacionados à saúde cardiovascular.”
Complementaridade com o Treino Aeróbico
A consolidação desses dados sinaliza uma atualização nas recomendações da cardiologia e da medicina do esporte. Embora os exercícios aeróbicos como caminhada, corrida, natação e ciclismo — tenham sido historicamente a principal indicação para a saúde do coração, sociedades médicas orientam atualmente a combinação entre o treino aeróbico e o de força.
Conforme destaca a Dra. Fernanda Douradinho, as duas modalidades não competem entre si, mas exercem funções complementares:
“A musculação e os exercícios aeróbicos não competem. Eles exercem funções diferentes e complementares. Enquanto os exercícios aeróbicos melhoram a capacidade cardiorrespiratória e reduzem o risco de infarto e AVC, a musculação aumenta a força muscular, melhora a sensibilidade à insulina, auxilia no controle da pressão arterial e ajuda a preservar a massa óssea e muscular durante o envelhecimento.”
Segurança e Recomendação Clínica

Para a população idosa ou portadores de doenças crônicas como hipertensão, diabetes, obesidade ou histórico de eventos cardiovasculares, a orientação médica determina que o início da prática seja precedido de avaliação clínica e prescrição individualizada.
Quando orientada por profissionais de educação física habilitados e conduzida com carga adequada, a musculação é considerada uma intervenção de alta segurança, inclusive para pacientes em processos de reabilitação cardíaca:
“Na maioria dos pacientes, a musculação pode ser incorporated ao tratamento e à prevenção das doenças cardiovasculares, desde que respeite as condições clínicas e seja acompanhada por profissionais habilitados.”
A especialista ressalta ainda que a capacidade de adaptação do sistema cardiovascular permanece ativa mesmo quando a musculação é iniciada após os 60 anos, desde que mantida a regularidade das sessões de treino:
“As evidências mostram que o fortalecimento muscular também contribui para proteger o coração, preservar a capacidade funcional e promover um envelhecimento mais saudável. O treinamento de força passou a ocupar um papel importante dentro da prevenção cardiovascular.”